Para ex-presidente política econômica não conseguiu conquistar o mercado financeiro e afastou militância do PT |
Da redação com Agência Reuters |
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (20/01), que o governo Dilma terá que anunciar mudanças na política econômica “até para justificar a saída de Joaquim Levy” do Ministério da Fazenda, o que, segundo ele, deverá ser feito em breve. Lula destacou ainda que a tentativa de ganhar simpatia do mercado não deu resultado e o governo “perdeu seu exército”.
“Em algum momento se acreditou que fazendo um discurso para o mercado ia melhorar, não conseguimos ganhar uma pessoa do mercado”, afirmou o ex-presidente durante entrevista a blogueiros na sede do Instituto Lula, na zona sul de São Paulo.
“Nem o Levy, que era representante do mercado no Ministério da Fazenda, ganhou. E perdemos a nossa gente. A Dilma tem um desafio agora. Em algum momento nesse mês vão ter que anunciar alguma coisa, até para explicar por que o Levy saiu, o que vai mudar”.
O ex-presidente defendeu ainda uma “forte de política de financiamento” e que se o governo não investir não terá como convencer os empresários a fazê-lo.
“A Dilma tem que ter como obsessão a retomada do crescimento, o controle da inflação e a geração de emprego. É preciso ter clareza que não se convence empresários se o governo não está pondo dinheiro, porque empresários não vão pôr se o governo não fizer. O governo tem que tomar iniciativa. É preciso uma forte política de financiamento”, disse.
Lula ainda defendeu que o governo faça mudanças tributárias e também a reforma da Previdência, desde que seja conversada com empresários e trabalhadores. O governo pretende apresentar ainda este ano proposta de mudanças nas duas áreas.
Lula reconheceu, mais uma vez, que o governo vendeu durante a campanha eleitoral uma visão que não consegue entregar.
“Acho que houve um equívoco político, já reconhecido, do fato de a gente ganhar com um discurso e não poder cumpri-lo. A Dilma dizia que não ia mexer em direito de trabalhador nem que a vaca tussisse e que o ajuste era coisa de tucano, e não dela. E depois foi obrigada a fazer”, disse.








