O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pronunciamento para este domingo com o objetivo de apresentar os principais compromissos políticos e econômicos de seu próximo mandato. Entre os pontos esperados está a defesa de uma política de responsabilidade fiscal, com medidas para cumprir as metas das contas públicas sem comprometer os programas sociais prometidos durante a campanha eleitoral.
As informações foram divulgadas pelo portal g1, com base em relatos de integrantes do governo. Segundo um assessor próximo ao presidente, Lula também pretende deixar claro que não haverá abandono das propostas apresentadas aos eleitores durante a disputa presidencial.
“Não haverá estelionato eleitoral. O presidente vai deixar isso claro, mas também vai dizer que seu governo terá responsabilidade fiscal durante todo o quarto mandato”, afirmou o auxiliar, sob reserva.
A mensagem deve buscar transmitir segurança sobre a condução da economia e reforçar a intenção de conciliar os investimentos e compromissos sociais com o controle das despesas públicas.
Governo prepara medidas para cumprir meta fiscal de 2027
Uma das principais preocupações da equipe econômica é garantir o cumprimento das metas de resultado primário ao longo do próximo mandato. De acordo com interlocutores de Lula, o planejamento prevê a busca por superávits nas contas públicas, mantendo os programas sociais considerados prioritários pelo governo.
Para 2027, a projeção apresentada por integrantes da administração federal é alcançar um superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem defendido a adoção de medidas que permitam atingir o centro da meta fiscal.
O resultado primário corresponde à diferença entre as receitas e as despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública. O indicador é utilizado para avaliar o desempenho das contas públicas e verificar se os objetivos fiscais estabelecidos estão sendo cumpridos.
Lula já conversa sobre alternativas para melhorar esse resultado com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. A intenção é organizar propostas e encaminhar medidas ao Congresso Nacional ainda em 2026, antecipando parte das decisões necessárias para o planejamento econômico.
Fazenda articula apoio no Congresso Nacional
A execução da agenda fiscal também depende de negociações com o Legislativo. Por isso, Dario Durigan procurou os presidentes das duas Casas do Congresso para organizar conversas sobre as propostas em preparação.
O ministro entrou em contato com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), que comanda a Câmara dos Deputados. A articulação busca abrir espaço para reuniões e construir apoio às iniciativas que dependem de aprovação parlamentar.
A estratégia é avançar nas negociações antes do encerramento de 2026, de modo que parte das medidas necessárias ao ajuste das contas públicas possa ser aprovada antecipadamente.
Durigan tem destacado a importância de alcançar o centro da meta fiscal. A equipe econômica busca melhorar o resultado primário e ampliar o controle sobre o orçamento, sem comprometer as políticas sociais que fazem parte dos compromissos do presidente.
Presidente também deve falar sobre polarização
Além das questões econômicas, Lula pretende utilizar o pronunciamento para agradecer aos eleitores que apoiaram sua reeleição. A expectativa é que o presidente destaque especialmente a participação de mulheres, jovens e idosos durante a campanha.
Outro assunto previsto é a necessidade de reduzir a polarização política no Brasil. O petista deve defender o diálogo entre diferentes setores da sociedade e apresentar a pacificação nacional como um dos compromissos de seu quarto mandato.
Segundo interlocutores do governo, o discurso também poderá reforçar a intenção de reduzir a influência política da extrema direita, especialmente do movimento bolsonarista. Auxiliares presidenciais avaliam que essa era uma das metas da administração durante o terceiro mandato, mas que os resultados ficaram abaixo do esperado. A proposta agora seria retomar essa estratégia e buscar caminhos para diminuir a força desse grupo no cenário político nacional.
Com o pronunciamento previsto para domingo, Lula deverá apresentar uma mensagem que combina compromissos econômicos e políticos: preservar as promessas de campanha, buscar o equilíbrio das contas públicas, manter programas sociais e trabalhar para reduzir as divisões políticas no país.
*Da Agência Fonte Exclusiva







