Três bancos privados e um estatal funcionaram como lavandaria do dinheiro sujo movimentado pelo grupo criminoso liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho.
Agências do Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal permitiram a abertura de contas em nome de empresas fantasmas, utilizadas para movimentar os recursos provenientes das propinas pagas pela Odebrecht as autoridades estaduais.
As contas eram movimentadas pelos doleiros que faziam parte do esquema.
A lavagem de dinheiro sujo foi desvendada pela força-tarefa da Operação Lava Jato do MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro).
Para os promotores, houve falhas das instituições financeiras em controlar crimes praticados com ajuda de seus serviços.
Reportagem do UOL, revela que “os doleiros conseguiram abrir contas em nome de pelo menos sete empresas de fachada nos quatro dos principais bancos do país”.
Os criminosos contaram com a falha ou colaboração de funcionários.
Uma das falhas, foi não checar os dados cadastrais das companhias falsas ou receber propinas em troca das facilidades vendidas à organização criminosa.
Confira trecho da reportagem do UOL:
Essas contas bancárias eram usadas por doleiros como entreposto para o dinheiro que circulava nos esquemas de pagamento de propinas dos quais eles participavam. Uma conta em nome de uma companhia de fachada poderia receber depósitos sem que o real dono do saldo fosse identificado, por exemplo.
Os valores depositados ali também poderiam ser usados para pagamentos em que o destino do dinheiro nunca era revelado.
Grupo operava 15 contas, aponta Lava Jato
Ao todo, segundo investigação da Lava Jato no Rio, ao menos 15 contas correntes foram operadas pelo grupo de doleiros, que já foi alvo de fases anteriores da Lava Jato como a operação “Câmbio, Desligo”.
Ao todo, essas contas movimentaram mais de R$ 1,1 bilhão. Desse total, R$ 989 milhões –cerca de 90% do total– circularam pelo Bradesco.
Na terça-feira (28), dois gerentes do banco foram alvo de mandados de prisão temporária. Tânia Maria Aragão de Souza Fonseca, que já chefiou uma agência do Bradesco na Barra da Tijuca, e Robson Luiz Cunha Silva, que foi gerente-geral da agência do banco em Vila Isabel, são suspeitos de receber uma mesada
Para o coordenador da Lava Jato no Rio de Janeiro, o procurador da República Eduardo El Hage, a quantidade de contas abertas e principalmente a movimentação delas mostra que o sistema de controle de crimes adotado por bancos não funcionou.
Segundo ele, regras internacionais e leis brasileiras de combate à lavagem de dinheiro determinam que instituições bancárias conheçam seus clientes, saibam da fonte dos seus recursos e monitorem transações suspeitas. Isso, disse ele, não ocorreu.
“Os bancos têm que fazer diligências para verificar dados cadastrais de clientes”, explicou.








