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Endividamento das famílias bate recorde e supera 50% da renda, mostra Banco Central

Dados do Banco Central mostram avanço das dívidas mesmo com leve redução dos atrasos no mês seguinte

redacao Por redacao
29/10/2026 - 10:06
em Economia
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Dívidas comprometem 29% da renda das famílias e atingem maior nível da série histórica. Entenda o cenário.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

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O endividamento das famílias brasileiras alcançou o maior nível da série histórica do Banco Central. Em agosto, as dívidas passaram a representar 50,11% da renda acumulada pelas famílias ao longo de 12 meses, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29).

O resultado representa alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,2 ponto percentual na comparação com agosto de 2025. Até julho, o indicador estava em torno de 49,9%, nível que já era considerado historicamente elevado pela autoridade monetária.

O levantamento mede a relação entre o saldo das dívidas das famílias com o sistema financeiro e a renda disponível acumulada em 12 meses. Por isso, o percentual de 50,11% não significa que metade do salário mensal de cada brasileiro esteja necessariamente comprometida com pagamentos.

Para medir quanto da renda mensal é usada efetivamente no pagamento de parcelas, juros e amortizações, o Banco Central utiliza outro indicador: o comprometimento de renda. Em agosto, esse percentual avançou para 29%.

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Na prática, os dois dados mostram dimensões diferentes do mesmo problema. Enquanto o endividamento revela o tamanho do estoque de dívidas em relação à renda anual, o comprometimento indica quanto da renda disponível é direcionada mensalmente ao pagamento dessas obrigações.

O avanço ocorre em um cenário de crédito ainda caro. Em agosto, a taxa média de juros das operações de crédito livre para pessoas físicas havia alcançado 61,7% ao ano. Modalidades como cartão de crédito rotativo e parcelado estavam entre as que mais pressionavam o custo dos empréstimos.

Apesar do recorde de endividamento, os números mais recentes mostram uma pequena melhora nos atrasos. A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional caiu de 5,05% em agosto para 4,98% em setembro.

Entre as pessoas físicas, o percentual de operações com atraso superior a 90 dias passou de 6,04% para 5,99%. Nas empresas, a taxa ficou em 3,3%, também com leve redução em relação ao mês anterior.

A queda, porém, ainda é pequena diante do nível elevado alcançado nos últimos meses. Em agosto, a inadimplência havia atingido recordes tanto na carteira total quanto entre as famílias. No crédito livre para pessoas físicas, em que bancos e clientes negociam as condições sem regras específicas de direcionamento, o índice chegou a 8%.

O cenário também aparece em outro levantamento divulgado pelo Banco Central nesta semana. O Relatório de Estabilidade Financeira apontou que 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco em junho de 2026, crescimento de 75% em cinco anos. O grupo representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.

Para entrar nessa classificação, o consumidor precisa apresentar simultaneamente pelo menos dois fatores considerados de risco pelo Banco Central, como inadimplência prolongada, comprometimento de mais de 50% da renda com dívidas, uso de diferentes modalidades de crédito ou renda disponível abaixo da linha de pobreza após o pagamento das parcelas.

A situação pesa de forma mais intensa entre os consumidores de menor renda. Entre pessoas que recebem até dois salários mínimos, o comprometimento com dívidas chegou a 42% da renda em junho. Somente as despesas relacionadas ao cartão de crédito respondiam por cerca de 15%.

O Banco Central atribui parte desse movimento ao aumento do acesso ao crédito e à maior utilização de modalidades mais caras e sem garantia, como cartão rotativo, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado.

A expansão das ofertas digitais também entrou no radar da autoridade monetária. Segundo o BC, consumidores de menor renda ficaram mais expostos a propostas de crédito rápidas e frequentes, o que pode ampliar o risco de contratação de dívidas incompatíveis com a capacidade de pagamento.

Diante do avanço do problema, novas regras já foram anunciadas. A partir de março de 2027, instituições financeiras deverão oferecer mecanismos para que clientes possam bloquear publicidade e ofertas ativas de empréstimos.

Consumidores identificados como vulneráveis ao endividamento excessivo também terão proteção adicional. Para esse grupo, determinadas ofertas dependerão de autorização prévia e deverão priorizar alternativas como renegociação, portabilidade ou substituição de dívidas por condições mais favoráveis.

Outras medidas previstas para julho de 2027 incluem ferramentas digitais para que o consumidor visualize de forma consolidada suas dívidas, custos e limites antes de contratar novos empréstimos.

Os novos dados mostram que o desafio não está apenas na quantidade de famílias endividadas, mas também no peso que essas dívidas passaram a exercer sobre o orçamento doméstico.

Embora a inadimplência tenha apresentado pequena melhora em setembro, o endividamento recorde e o comprometimento de 29% da renda indicam que uma parcela significativa dos recursos das famílias continua direcionada ao pagamento de dívidas, em um ambiente ainda marcado por juros elevados.

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Tags: #BancoCentral#EconomiaBrasil#FinançasPessoaisCréditoDívidasEconomiaEndividamentofamíliasInadimplênciaJuros
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