Em tempos de coronavírus e ameaça de crise global, os países devotos da economia de mercado, mais uma vez, incorporaram o modelo de intervenção que demonizavam como medida socialista.
A intervenção, neste caso, é totalmente voltada para salvar o liberalismo de mais um naufrágio. Foi assim durante a crise de 1929, repetiu-se em 2008 e se reedita em 2020.
Não há como disfarçar, ainda que a mídia corporativa faça silêncio diante das contradições. Nesta terça-feira (17), o governo da França afirmou “que está pronto para usar todas as medidas necessárias visando apoiar as grandes empresas que sofrem durante a atual turbulência do mercado”.
O ministro das Finanças, Bruno Le Maire destaca que entre as medidas possíveis estão: recapitalização, por meio de uma participação, ou até nacionalização”. Se isso fosse dito por estadistas como Nicolás Maduro, na Venezuela; Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil; ou o presidente mexicano Lopez Obrador, o mundo viria abaixo.
Nos EUA, o Federal Reserve Bank, no último domingo (15), interveio no mercado reduzindo as taxas de juros a quase zero, além de anunciar sua participação em títulos do Tesouro em pelo menos US$ 500 bilhões.
A medida também incluir a ampliação da compra de títulos públicos, lastreados em hipotecas, em pelo menos US$ 200 bilhões “nos próximos meses”.
A teoria da mão invisível atuando no mercado saiu de cena, dando lugar, mais uma vez, a mão generosa do Estado em socorro de grandes fortunas.








