A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deverá prolongar o corte na produção mundial até o segundo semestre de 2019.
As informações são da agência Reuters.
Apesar das sanções dos EUA contra o Irã e Venezuela, dois grandes produtores de petróleo, os estoques mundiais continuam crescendo e impactando negativamente na cotação do barril.
AMÉRICA VENDE
Os EUA aproveitam o cenário de instabilidade para aumentar suas próprias exportações de petróleo ante as dificuldades da Venezuela e Irã, que não conseguem colocar suas respectivas produções nos mercados globais.
A Rússia, que está cortando sua produção por meio de entendimento com a Opep, também avalia que a política de redução no estoque pode permanecer até junho.
O prazo permitiria avaliar melhor os planos de Washington em relação ao Irã e à Venezuela.
INCERTEZA GLOBAL
As políticas dos EUA introduziram um novo nível de incerteza para a Opep, no momento em que a organização luta para prever o equilíbrio mundial entre oferta e demanda.
“Ainda estamos vendo aumento nos estoques. Precisamos nos manter na rota (de corte) certamente até junho”, disse o ministro saudita da Energia, Khalid al Falih, em entrevista citada pela Reuters neste domingo (17).
“Queremos estar prontos para continuar monitorando a oferta e demanda e fazer o que temos de fazer no segundo semestre”, disse o ministro durante encontro de alguns ministros de países da Opep na capital do Azerbaijão, Baku.
ENTENDA O CASO
A Opep e seus aliados cortaram a produção em 1,2 milhão de barris por dia — ou 1,2 por cento da demanda global — desde janeiro, para reequilibrar o mercado global de petróleo e elevar os preços.
O cartel vai se reunir em abril e em junho para decidir políticas de produção.
Os EUA impuseram duras sanções ao Irã, terceiro maior produtor da Opep, mas deram algumas liberações para compradores do petróleo iraniano até maio.
Washington também está tentando derrubar o atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e impôs sanções ao petróleo da nação sul-americana.
O ministro da Energia russo, Alexander Novak, afirmou que é difícil para Moscou e para a Opep realizarem planejamentos devido às sanções norte-americanas.
Ele afirmou que terá poucas informações adicionais até o encontro de abril, pois Washington não haverá anunciado ainda suas novas políticas sobre o produto do Irã, e que mais negociações serão necessárias em maio.
“Essas sanções estão criando tendências negativas no mercado e distorcendo completamente a oferta e a demanda. Elas são impostas para ajudar a vender bens do país que está impondo, mas criam incertezas”, afirmou.
Novak destacou que a Rússia está perto de cortar a produção em 140 mil barris por dia. Já Falih disse que as exportações sauditas permanecerão abaixo dos 7 milhões de barris por dia em abril e março.








