O Brasil conquistou 38 novos mercados internacionais para carne bovina e derivados entre janeiro de 2023 e outubro de 2026.
Os dados, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na terça-feira (13), mostram o avanço da diversificação comercial em um momento de dificuldades nas negociações com a China e a União Europeia.
A abertura de novos destinos faz parte da estratégia do governo federal para ampliar as oportunidades de exportação e diminuir a dependência de compradores tradicionais.
O maior número de autorizações ocorreu em 2025, com 19 novos mercados. Em 2026, até outubro, foram nove aberturas, enquanto 2023 registrou sete e 2024, três.
A Ásia lidera a expansão, com 16 mercados, incluindo Japão, Vietnã, Filipinas, Indonésia e Malásia. Nas Américas, foram 11 aberturas, com países como México, Chile, Cuba, Guatemala e El Salvador.
Ao todo, as negociações permitiram autorizar a venda de 25 categorias de produtos bovinos e derivados para 31 países. A diferença entre o número de mercados e de países ocorre porque um mesmo destino pode liberar a importação de diferentes produtos.
China aplica tarifa de 67% sobre carne brasileira
Um dos principais desafios para o setor está no mercado chinês. Após o esgotamento da cota anual de importação, em 1º de outubro, a China passou a aplicar uma tarifa total de 67% sobre a carne bovina brasileira.
A cobrança aumenta o custo do produto nacional e pode reduzir sua competitividade em um dos principais destinos das exportações brasileiras.
Apesar da medida, o ministro da Agricultura, André de Paula, manifestou otimismo em relação às negociações comerciais. Segundo ele, a China autorizou recentemente quatro novos frigoríficos brasileiros, sendo dois de carne bovina e dois de aves, além de permitir a entrada de miúdos suínos.
União Europeia mantém restrições sanitárias
O Brasil também enfrenta dificuldades para comercializar carnes no mercado europeu. Em 3 de setembro, a União Europeia suspendeu a entrada de produtos brasileiros diante de questionamentos sobre as garantias de controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
O governo brasileiro negocia a revisão das restrições. Segundo o Mapa, há sinalizações favoráveis à retomada das importações de frango e mel, mas a situação da carne bovina continua exigindo ajustes relacionados à rastreabilidade e à fiscalização sanitária dos rebanhos.
Novos mercados ampliam oportunidades para o agronegócio
A diversificação dos compradores é considerada importante para reduzir os efeitos de tarifas e restrições sanitárias sobre frigoríficos e produtores brasileiros.
Entretanto, a autorização de um novo mercado não representa necessariamente o início imediato das vendas, que dependem de habilitações, demanda e acordos comerciais.
A expansão integra uma estratégia mais ampla do agronegócio. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil alcançou em outubro a marca de 700 novos mercados abertos para produtos agropecuários desde janeiro de 2023.
Mesmo com os avanços, a manutenção das relações comerciais com a China e a União Europeia continua estratégica para o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








