O recuo dos preços do petróleo trouxe uma trégua aos mercados internacionais nesta quarta-feira (16), depois de dias de maior tensão provocada pelas preocupações com o fornecimento de energia.
As bolsas reagiram positivamente, mas os investidores mantêm a cautela à espera das decisões sobre juros nos Estados Unidos e no Brasil.
O índice global de ações da MSCI avançava cerca de 0,2% pela manhã, após duas sessões consecutivas de queda. Já o indicador que acompanha mercados da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, subia aproximadamente 0,6%, interrompendo uma sequência de quatro pregões negativos.
As principais bolsas europeias também operavam em alta. O índice Stoxx 600 avançava 0,6%, acompanhado por ganhos nos mercados da Alemanha, França e Espanha.
Petróleo recua e reduz pressão
Parte da melhora veio do mercado de energia. Os contratos futuros do petróleo Brent recuavam cerca de 1,5%, negociados na faixa de US$ 107 por barril.
O movimento ocorreu após informações de que a Arábia Saudita passou a oferecer cargas adicionais de petróleo a refinarias asiáticas por meio de transferências realizadas próximo ao porto de Sohar, em Omã. A alternativa ajudou a reduzir o temor de uma interrupção mais prolongada no fornecimento.
Nos últimos dias, o preço do petróleo havia subido diante dos problemas nas operações de exportação sauditas pelo Mar Vermelho e da escalada das tensões no Oriente Médio.
Apesar da queda desta quarta-feira, o Brent permanece acima dos US$ 100 e acumula forte valorização em setembro, mantendo a energia como uma das principais fontes de preocupação para a inflação mundial.
Fed pode elevar juros pela primeira vez desde 2023
O principal evento do dia nos mercados internacionais será a decisão do Federal Reserve.
O banco central norte-americano anuncia sua nova política monetária às 15h, pelo horário de Brasília. Os mercados atribuíam probabilidade superior a 90% a uma elevação de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de referência para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.
Caso a expectativa se confirme, será a primeira alta dos juros americanos desde 2023.
A possível elevação ocorre em um ambiente de inflação ainda acima da meta e de aumento recente nos preços da energia. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos chegou a superar 5% nos últimos dias, nível que não era atingido havia anos.
Os investidores também acompanharão com atenção as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, após o anúncio.
Trump defende juros menores
A decisão ocorre sob pressão política do presidente Donald Trump, que vem defendendo publicamente custos de financiamento mais baixos.
Trump chegou a afirmar no mês passado que os Estados Unidos poderiam interromper negociações comerciais com determinados países caso o Federal Reserve não reduzisse os juros. Os mercados, porém, mantiveram as apostas em aperto monetário diante dos indicadores econômicos e das pressões inflacionárias.
Copom também anuncia decisão nesta quarta
No Brasil, as atenções estarão voltadas para o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que encerra nesta quarta-feira a reunião iniciada no dia anterior.
A mediana das projeções do mercado indica redução de 0,25 ponto percentual na Selic, dos atuais 14% para 13,75% ao ano. Se confirmada, será mais um corte na sequência iniciada pelo Banco Central em março.
O Boletim Focus divulgado nesta semana também aponta expectativa de que a taxa básica permaneça em 13,75% no encerramento de 2026.
Mercados atentos aos próximos passos
As decisões dos dois bancos centrais seguem direções distintas. Enquanto os Estados Unidos discutem uma possível elevação dos juros para conter pressões inflacionárias, o Brasil vem reduzindo gradualmente a Selic.
Além das taxas anunciadas nesta quarta-feira, investidores estarão atentos principalmente aos comunicados do Fed e do Banco Central brasileiro em busca de sinais sobre as próximas reuniões.
As indicações sobre juros podem influenciar o comportamento do dólar, das bolsas, dos títulos públicos e das expectativas para o ritmo das duas economias nos próximos meses.
*Da Agência Fonte Exclusiva








