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Wagner Moura fala sobre o preparo físico para ‘Guerra Civil’

À GQ Brasil, ator falou sobre a vida nos Estados Unidos, a saudade que sente do Brasil e os dez anos de carreira internacional realizados no ano passado: ''Não vejo como lá e aqui''

redacao Por redacao
19/04/2024 - 12:12
em Cultura
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Wagner Moura e o preparo físico para 'Guerra Civil': ''Voltava para casa com o corpo todo dolorido''

Wagner Moura fazia abdominais e corria para se manter aquecido nos bastidores de 'Guerra Civil' — Foto: Divulgação/A24 e Diamond Films

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Luz, câmera e muita ação – com direito a explosões e tiroteios imersivos, que parecem atravessar as telas de cinema. Guerra Civil, novo filme protagonizado por Wagner Moura, finalmente chegou ao Brasil nesta semana, após liderar as bilheterias dos Estados Unidos (onde arrecadou US$ 25,7 milhões no final de semana de estreia) e render muitos elogios ao brasileiro.

A obra distópica, dirigida por Alex Garland, reúne nomes como o de Kirsten Dunst, Cailee Spaeny, Stephen Henderson e Jesse Plemons no elenco, e evoca um futuro alarmante para a nação norte-americana: o fim da democracia e conflitos provocados pela polarização ideológica e militar.

Sob a perspectiva de quatro jornalistas que tentam chegar à Casa Branca para registrar a derrocada do Presidente em primeira mão, o longa-metragem carrega ares de tensão do início ao fim com uma produção estarrecedora que, para fazer jus, é o maior orçamento da história do A24 (estúdio de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, A Baleia, Moonlight entre outros títulos premiados no Oscar), avaliado em US$ 50 milhões.

O ator brasileiro de 47 anos interpreta Joel, um repórter destemido, simpático e viciado na adrenalina de cobrir guerras. Ele convence não só pelo carisma e talento, mas também pela aparência – na gringa, o artista tem sido apontado como galã pelos telespectadores. Em entrevista realizada em um hotel na capital paulista, Moura disse à GQ Brasil que precisou se preparar fisicamente para dar conta do desafio.

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“Entre um take e outro, para não desaquecer, a gente ficava correndo de um lado para o outro, às vezes fazia alguns abdominais. Voltava para casa com o corpo todo dolorido. ”
— Wagner Moura

Assuntos de Guerra Civil

Apesar de levantar discursos delicados — a xenofobia estimulada pelo patriotismo é um deles — Guerra Civil tenta fugir pela tangente quando o assunto é política. Segundo defende Alex Garland e Wagner Moura, o filme não é sobre “esquerda ou direita”, mas sim o perigo que esta divisão provoca no mundo.

Em uma das cenas mais cruéis – de gravar e assistir –, os personagens são violentamente rechaçados e questionados sobre suas nacionalidades por um extremista. Moura, que reside com a família há sete anos em Los Angeles, Califórnia, nunca sentiu tal preconceito na vida real.

“Sou imigrante”, ressaltou ao refletir a complexidade do momento. “Me pegou de uma forma que eu não esperava que fosse me perturbar do jeito que foi para mim. Causou um desconforto grande.” Ao aproximar a narrativa para a ótica brasileira, ele elabora:

“Esse cenário de guerra que mostramos no filme acontece, de fato, nas favelas do Brasil. (…) Seguimos sendo um país desigual, demasiadamente injusto e perverso com os mais pobres.”
— Wagner Moura

A primeira vez que Wagner Moura surgiu em uma superprodução internacional foi há onze anos com Elysium (2013), estrelado por Matt Damon. Mas foi em Narcos (2015), série original da Netflix sobre o traficante de drogas colombiano Pablo Escobar, que fez Moura um rosto conhecido mundo afora.

“Não penso a minha vida como internacional ou nacional”, garantiu o ator, que adianta que irá gravar o próximo trabalho em junho no Brasil. “Vou filmar com Kleber Mendonça [diretor pernambucano] em Recife, é a coisa que estou mais com vontade de fazer”.

Confira a entrevista na íntegra:

Como foi a sua preparação física para Guerra Civil?

Que pergunta interessante, ninguém me perguntou isso. É um filme que demandou muito emocionalmente e tudo, mas fisicamente também. Passávamos muito tempo correndo — principalmente no último texto do filme, no terceiro ato. Estou com 47 anos, naquela época tinha uns 45 e queria estar bem preparado fisicamente. Entre um take e outro, para não desaquecer, a gente ficava correndo de um lado para o outro, às vezes fazia alguns abdominais. Voltava para casa com o corpo todo dolorido. Passei a me cuidar mais. Antigamente, treinava jiu-jítsu, só. Agora treino quando posso e faço exercício na minha casa. Levanto peso e treino com o peso do corpo para manter a saúde em dia.

Por falar em adrenalina, uma das cenas que mais provocou essa sensação é, no entanto, quando os personagens estão sob ameaça de um soldado extremista, que questiona a nacionalidade de todos e os ameaça com um fuzil. Essa cena mexeu muito com você?

Sou imigrante. Tenho vivido lá por quase sete anos, mais do que achei que fosse ficar. Mas sou um imigrante, vivo lá, faço parte de uma comunidade grande de latinos e brasileiros. Os Estados Unidos é um país, mais do que qualquer outro, que existe a partir da imigração de pessoas da Ásia, África, Oriente Médio, América Latina. Nunca tinha sido questionado assim, nunca vivi na minha vida pessoal um exemplo de xenofobia. Aquela cena me pegou de uma forma que eu não esperava que fosse me perturbar do jeito que foi para mim. Me causou um desconforto grande.

Segue te perturbando ao assistir ao filme?

Continua sendo muito tensa, é uma cena forte do filme. É um dos pontos mais violentos.

O que mais sente falta do Brasil?

De tudo. Sou muito feliz quando estou aqui. Certamente vou voltar a morar no Brasil em algum momento próximo. Sinto muita falta da Bahia, de Salvador. Eu não sei se você sente isso, mas eu tenho uma coisa… você é onde?

São Paulo.

Não sei se as pessoas têm isso, quando o avião pousa no lugar e você diz: “ah” [som de alívio]. Tenho isso só com Salvador. A temperatura, o cheiro… alguma coisa me faz acalmar. “Sou daqui, sou desse lugar”. É um sentimento de pertencimento. Me traz muita felicidade. Dos meus amigos que estão lá e que me conhecem a vida inteira. Sinto muita falta.

E do que menos sente falta?

Me preocupa muito a insegurança de ser assaltado, principalmente para quem tem filho. Saber que o filho está na rua e pode ser perigoso. Não que Los Angeles seja a cidade mais pacífica do mundo também, mas acho que a violência nos grandes centros brasileiros tomou um lugar ruim. Ainda me causa horror ver conflitos nas favelas. As famílias, balas perdidas, crianças não podendo ir para a escola. Esse cenário de guerra que mostramos no filme acontece, de fato, nas favelas do Brasil. Essa é uma imagem que mostra que seguimos sendo um país desigual, demasiadamente injusto e perverso com os mais pobres.

Ano passado marcou dez anos da sua estreia internacional [com Elysium, de 2013]. Você costuma fazer o exercício de reflexão sobre o que mudou nesse tempo? Está hoje no lugar que desejava estar?

Honestamente não vejo a minha carreira dessa forma. Não gosto dessa palavra [carreira], porque é a minha vida. Não penso a minha vida como internacional ou nacional. Calha de eu estar fazendo coisas lá. Agora, em junho, meu próximo trabalho vou filmar com Kleber Mendonça em Recife, é a coisa que estou mais com vontade de fazer. Super feliz com isso. Então não vejo como lá e aqui. Sou feliz com as coisas que fiz aqui e lá, algumas delas não deram muito certo, outras foram mais bem-sucedidas, como tudo.

Tags: #Guerra Civil#Wagner MouraFilmes
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