O Curupira, integrante de lendas da cultura indígena, foi transformado em um personagem de filme de terror. O trailer e o cartaz do longa ‘Curupira – O Demônio da Floresta’, dirigido por Erlanes Duarte, horrorizou usuários nas redes sociais Twitter e Instagram, entre eles uma liderança pataxó e uma estudiosa do tema.
O filme é o primeiro longa de terror do estado do Maranhão e chega aos cinemas no dia 28 de outubro, com distribuição da O2 Play, parte da produtora O2. Nele, o Curupira, mito protetor da floresta, é retratado como um ser assustador, de expressão raivosa e olhos vermelhos.
Emerson Pataxó, ativista indígena e liderança jovem deste povo, foi uma das pessoas a se manifestar. “Os brancos como sempre, tratando seres espirituais Indígenas como ‘demônios’, é assim com os Povos Negros, conosco, não fariam diferente! Absurdo!”, publicou ele, que também é cofundador e secretário executivo da Associação de Jovens Indígenas Pataxó, em sua conta oficial no Twitter.
Outra pessoa a se manifestar foi Julie Dorrico, em seu perfil no Instagram. Ela, que é pesquisadora e curadora de literatura indígena e indígena macuxi, avaliou o terror como “a demonização dos encantados é racismo religioso”. Um modo, segundo a pesquisadora, de matar simbolicamente os povos indígenas.
O jornal Folha de São Paulo entrou em contato com o diretor do longa. Erlanes Duarte disse que não teve qualquer intenção de ofender religião ou etnia indígena. “O filme não debate sobre isso nem tem cunho político. Se tirarmos a parte ficcional do filme, você verá a mensagem sobre a preservação do meio ambiente e como a natureza responde à ação do homem”, disse, por e-mail.
Figura assimilada pelo folclore nacional, o Curupira é uma entidade das matas. Uma das características mais marcantes do protetor das florestas são os pés virados para trás. Com os membros, ele leva caçadores e outras pessoas que destroem o habitat a se perderem.








