A vida é uma girândola. O tempo, um traidor! O espelho, aquele que deforma.
Mais da metade de mim se passou. Vários pedaços de mim se passaram. Eu sinto. Aconteceu!
“Em que espelho ficou perdida a minha face?”
Toco-me e percebo-me. Continuo vivo. Amo.
Ah! De novo o alvoroço! De novo me entrego ao desejo de momentos crus. E já nem sou mais alguém em mim.
Enfeito a alma. Aceito esta chama crescente. Visto a lua nova. Nenhuma descrença, somente o hábito de me saber só. Estranho. Foguetes íntimos explodem no meu mais jovem. Me iluminam. Invado-me ferozmente. Aceito este amor temporão de tão carnaval! Invado-me e gasto-me ao meu luar. Incedeio-me, enfim, e, completo, firmo o pacto: golpeio-me fundo, vejo-me além. Este desejo tão grande de te respirar, ah, este desejo enorme de saber de ti, de te ter por mim e de me ter por ti.
Por ti me sei agora, enluarado, novo. E sei de ti por mim.
Elevo-me. Vários pedaços de mim se refazem. Eu toco. Aconteceu! Minhas mãos estão vivas, meu rosto já se vê! Meu amor é de carne, não de espelho.
Abaixo-me, para beijar-te os baixos, para me embeber do gozo, para respirar sôfrego e pleno.
Elevo-me e suspiro o meu amor por ti. Adormeço de olhos abertos. Já morro de amor em mim.








