Ela sabia tudo; na Noite dos Leopardos, na galeria Alasca, chamou-me ao palco para perguntar sobre Estorvo, de Chico Buarque;
Da redação
Numa semana bem corrida em Salvador, pois estou fazendo todas as obrigações e ebós dos meus 40 anos de iniciado no Candomblé Ketu, quando fui feito Filho do Oxóssi, Okearô. E para ter minha consagração em Oxalá na sexta-feira (8), tive uma notícia que me trouxe aquelas surpresas de nossa Deusa Mnemosine, a deusa da Memória: a passagem para o outro plano da constelação de Rogéria, amiga, muito amiga e maravilhosa atriz, completa EM TUDO!.
Lembrei-me que, em 1993, num show no Teatro Galeria Alaska, comandado por ela – A NOITE DOS LEOPARDOS – FUI CHAMADO AO PALCO!!!! Rogéria me perguntou o que eu achava do romance Estorvo, de Chico Buarque, ao que eu respondi não ser exatamente um paradigma para aquilo que, à época, era muito discutido como pós-moderno, já que eu considerava (e considero) Estorvo um pastiche (ironia vazia, na concepção de Frederic Jameson) de O Estrangeiro, de Camus.
Rogéria era dessas. Sabia tudo! Foi agradável estar num show de leopoardos e falar sobre meu amor a ela e à literatura, coisa que carrego dentro do peito e pude assentar no meu coração como vínculos sagrados durante minhas oferendas.
Lembro-me também de concordar com Érico Andrade a respeito das personagens mulheres de Chico tão comentadas na atualidade:
“Não raro, mulheres se sentem contempladas pelas letras das músicas compostas por Chico Buarque de Holanda. Chico fala por elas, insistem. Afinal, dizem, ele tem alma feminina. Dificilmente algum compositor trisca a unanimidade como o faz Chico. Mais difícil ainda é quando essa unanimidade é também feminina pelo motivo das mulheres se reconhecerem, nas suas diferentes facetas, nas letras milimetricamente compostas por aquele que desvenda as nuances do feminino. Fala como se fosse uma mulher. Como se fosse. É evidente que, por mais que Chico consiga ter a proeza literária e musical de fazer as mulheres ou parte delas se sentirem representadas por suas músicas, ele não pode acessar a experiência fenomenológica e subjetiva de ser mulher. Mas meu texto não pretende desenvolver esse ponto”.
Clique aqui e leia opinião de Érico Andrade – Diário de Pernambuco
Rogéria é única! Sempre será! e DESSAS! Mulheres, claro! Numa visita a minha casa, ficamos uma noite inteira falando sobre vários temas interculturais e sua experiência nas Artes, bebericando umas e outras. Não pude vê-la antes de ir para a Constelação maior: acho que, de súbito, temos outra constelação, tamanhas as estrelas que habitavam Rogéria, todas incandescentes, rutilantes, da atriz à cantora de cabaré, da musa gay da década de 50/60/70 à apresentadora de shows e ícone dos travestis e transgêneros. Brilhe muito, amiga!
Amanhã (10) acontecerá a Parada do Orgulho Gay em Salvador (BA). Estaremos num Camarote dedicado a ela, comendo e bebendo em louvor a nossa estrela/constelação. Que a Parada em Salvador a homenageie, porque foi uma bem-vinda guerreira à luta pelos direitos humanos da causa LGBTT. E continua…
Hoje (9), Valgeni não apareceu. Então não tem musiquinha. Lá em cima, estão tod@as de braços levantados gritando: – Rogéria!!!!!! Não era pecado não!!!
Paris toujours Le Blonde!
Vou, hoje, sábado (9), ao Blues para brindar! Aos Orixás e assim me lembro das nossas conversas para colocá-las num altar.
Já tarde, Rogéria se oferece em brilho. E é acolhida pel@s deus@s!
Vídeo:
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Ça c’est Paris!
Ça c’est Paris!
Paris c’est une blonde
Qui plaît à tout le monde
Le nez retroussé l’air moqueur
Les yeux toujours rieurs
Tous ceux qui la connaissent
Grisés par ses caresses
S’en vont mais reviennent toujours
Paris à tes amours!
La petite vogue de Paris
Malgré ce qu’on en dit
A les mêmes attraits qu’Hollywood
Oui mais… Elle possède à ravir
La manière de s’en servir
Elle a perfectionné la façon de se donner
Ça c’est Paris!
Ça c’est Paris!
Paris c’est une blonde
Qui plaît à tout le monde
Le nez retroussé l’air moqueur
Les yeux toujours rieurs
Tous ceux qui la connaissent
Grisés par ses caresses
S’en vont mais reviennent toujours
Paris à ton amour!
Ça c’est Paris!
Ça c’est Paris!








