O brasileiro xinga muito no cotidiano AO FALAR. Mas nada é mais sodômico que o americano/inglês. Vi essa ideia em outro sub e quis trazer pros brasuca. Da comédia AO BESTEIROL E À IGNOMÍNIA, o mais genial que presenciei foi ouvir alguém ser chamado de Gato Gago. A pessoa ficou confusa e perguntou o porquê. “Só fica de Mi Mi Mi”. Kkkkkkkkk
Há xingamentos horríveis como “Seu resto de aborto!”.
Entrei, pois, finalmente, no mundo rabelaisiano, nos contos de Rabelais, OU MELHOR, em toda sua obra no geral.
Os muitos detalhes da vida de Rabelais são esparsos, misto de ficção e realidade e de muito difícil interpretação. Foi um sacerdote de fraca vocação, porém erudito, apaixonado pelo saber, de espírito muito ousado e com propensão para as novidades e para as reformas. A busca do novo era sua marca. Depois de aparentemente ter estudado Direito, tornou-se frade franciscano e iniciou os seus contatos com o movimento humanístico, trocou correspondência com Guilherme Budé e com Erasmo de Roterdão.
Mais adiante mudou-se para o convento de Puy-Saint-Martin e a partir de 1521, ou talvez mais cedo, começou a receber ordens sacras. Depressa adquiriu fama de grande humanista junto dos seus contemporâneos, mas a sátira religiosa, o humor escatológico e as suas narrativas cômicas abriram-lhe o caminho para a perseguição, para a implicância para o perigo. A sua vida estava dependente do poder de várias figuras públicas, nos tempos perigosos de intolerância que se viviam em França.
Por ordem da Sorbonne, viu confiscados os seus livros, tendo então passado para a ordem dos beneditinos. Interessou-se novamente pelo Direito e sobretudo pela Medicina. Como Médico em Lyon, aí publicou uma edição dos Aforismos de Hipócrates, Pantagruel, em 1532, seguido, em 1534, por Gargântua. A protecção do cardeal Jean du Bellay salvou-o da repressão da Sorbonne que lhe condenara a obra.
Depois de receber a permissão para o abandono do hábito, obteve o doutoramento em Medicina. A publicação de Tiers Livre, em 1546, obrigou-o a refugiar-se em Metz e a passar dois anos em Roma. Só com a proteção do cardeal J. Du Bellay lhe foi assegurada uma existência mais calma e sem censura. Mesmo assim, o Quart Livre, concluído em 1552, só foi publicado 11 anos após a sua morte.
O mais interessante em sua obra, o texto rabelaisiano serviu-se da imaginação popular que a cultura herdara do espírito medieval, da estrutura narrativa das gestas, do estilo picaresco e da riqueza vocabular para versar alguns dos problemas mais decadentes do seu tempo, como a vivência religiosa, a administração da justiça ou a guerra justa.
Várias foram suas vontades, pretensões e quereres. Pretendeu libertar as pessoas da superstição e das interpretações adulteradas que a Idade Média alimentara, não indo entretanto contra o Evangelho nem contra o valor divino. A obra de Rabelais constituiu uma das mais originais manifestações da crença do homem nas suas capacidades, simbolizadas pelo gigantismo das personagens. Inimigo da Idade Média, atacou o gênio da cavalaria, a mania conquistadora, o espírito escolástico e sobretudo o sistema de educação. Rabelais renegou as tradições, a escolástica, o pedantismo monacal, a rotina dogmática da Universidade de Paris.
O ensaísta russo Bakhtin analisou a obra rabelaisiana em A Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais; também em “O cronotopo de Rabelais”, em Questões de Literatura e de Estética.
Seu legado é importantíssimo para nossa era contemporânea. Portanto, ler Bakhtin e Rabelais pode ser uma ótima aventura!








