Uma coletânea de capítulos semanais publicada na revista Manchete, em 1967, cheio de intempéries pós-golpe militar;
Acabo de reler QUEM MATOU VARGAS, de Carlos Heitor Cony, que me foi presenteado, em sua terceira edição de 2004, Ed. Planeta, presente de Silvana Siqueira, e me fez muito bem, abriu bastante a minha cabeça, com lembranças presenteadas pela mnemonize, sempre implacável. Lembrava-me que o livro era uma coletânea de capítulos semanais que o autor houvera escrito para a revista Manchete, em 1967, um tempo amargo, cheio de intempéries pós-golpe militar, quando a censura fazia, pintava e bordava.
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Fonte: TV Senado / Youtube
O livro que deveria ter sido lançado à época, mas fora publicado somente em 1972, por intervenção do marechal Juarez Távora, que interditou o livro e só o liberou depois que se achou no direito de escrever cinco capítulos adicionais “que a revista foi obrigada a publicar, refutando fatos e opiniões em que se julgava prejudicado.” (CONY, 2004, p.1) – Nota à presente edição.
A NARRATIVA NÃO É UMA BIOGRAFIA! É uma interpretação, pois segundo o próprio autor “faltam-lhe momentos importantes de sua vida e de sua atuação no cenário nacional.” Ouso dizer, parafraseando Cony, que uma das suas faltas mais graves “diz respeito ao ataque que os integralistas, em 1938, tentaram matá-lo no Palácio Guanabara.” (Idem) O que houve? O capítulo que chegou a ser escrito foi vetado pelos censores integralmente, já que a posição do general Eurico Gaspar Dutra pareceu ambígua aos militares da época. O autor nos afirma, porém, que “Do ponto de vista político o motim comunista do regimento da Praia Vermelha foi mais importante e gerou maiores consequências. Do ponto de vista pessoal, o ataque dos integralistas ao Guanabara, em 1938, foi episódio que mais colocou em risco a vida de Vargas, que estava disposto a reagir de arma em mão em defesa de sua vida e de sua família.” (Idem)
A obra começa com um discurso em 1ª. pessoa no qual o autor emite opiniões sobre a era Vargas, a que ele chama Prólogo – COMO SE FAZ UM HOMICÍDIO POLÍTICO. Narra a chegada ao Brasil, a bordo do navio Alcântara, de John Bathurst-Pithard, que viera de Vigo, onde tomou o referido navio. Sobre ele, o narrador nos diz: “Naqueles dias não era agradável ser desempregado em Londres. Mesmo assim ele fez o principal: sobreviveu. Quando a guerra acabou tinha um emprego, uma renda de 660 dólares mensais e um título de inspetor. […] Destino: Rio de Janeiro. […] Agora tinha diante de si um velho, com residência fixa, e presidente da República, ainda por cima. Daquele homem dependeria sua vida.“ (Cony, 2004, p. 18).
(Continua na próxima semana)








