Traves suspensas, uniforme, medalhas e preparação para Tokyo em 2021. Assim seria a rotina atual de Thauany Lee se uma grave lesão no pé não interrompesse a trajetória de ginasta em 2016, durante treinamento para as Olimpíadas. Muito jovem e com uma carreira inteira pela frente, a menina nascida na periferia de São Paulo se deparou com o desafio mais intenso de sua vida: a reinvenção de si.
Thau Lee, como é chamada nas redes sociais ganhou medalhas de prata e ouro em 2015. Hoje, aos 22 anos, seu histórico de atleta contribui com os passos autênticos que pratica na companhia de dança Hip Hop e Black Music, Cybernétikos, em São Paulo.
“Foi um baque total para mim quando a lesão aconteceu! Eu tinha muitas chances de conseguir medalha. Mesmo com uma rotina intensa de fisioterapia, não seria mais possível voltar pra ginástica. Mas eu sempre gostei muito de dançar. Pra mim era apenas algo relacionado a ginástica pois no esporte, a gente precisa da graciosidade para fazer um solo e fazer uma trave. Graças a Deus eu consegui transferir o amor que eu tinha pela ginástica para dança, porque eu realmente achei que eu não iria fazer outra coisa a não ser a ginástica”, diz a dançarina.
A ex-atleta olímpica posta as coreografias nas redes sociais sempre que possível e afirma que ainda pretende ir muito além. Assim como foi reconhecida no esporte com a medalha de prata na Trave na Copa do Mundo de Doha em 2016 e bronze nas Barras Assimétricas na Copa do Mundo de Osijek 2015, busca se aprimorar cada vez mais na dança e atingir lugares altos.
“Meu sonho agora é dançar em palcos grandes. O mundial é consequência, mas quero ir com a Cybernétikos, quero conseguir algo na dança lá fora, como coreógrafa de algum grupo ou cantor famoso, ou pode ser no Brasil mesmo. Quero ser reconhecida como dançarina, não apenas como a menina que era ginasta. Quero viajar o mundo dançando e ainda vou sentir esse gostinho”, afirma.
A rotina intensa e disciplinada faz parte da vida de Thau Lee desde muito nova. A vida que teve no esporte auxilia a hoje dançarina no comprometimento com a dança e na busca pelos objetivos na atual carreira, principalmente pela autenticidade dos movimentos.
“Os meus movimentos são diferentes, eles são um pouco ‘eu’, não é algo em que eu copio, é algo que vem de dentro, assim como eu fazia na ginástica. As minhas séries solo, as meninas imitavam, então eu tenho esse feeling, essa malemolência. Eu só tenho a agradecer a essa época, porque eu amadureci muito cedo e isso me tornou a pessoa que eu sou hoje”, associa.
A jovem que muito cedo teve que lidar com a ruptura de um sonho e embarcar num plano B, deixa um conselho para quem pretende ingressar em qualquer área de atuação.
“É clichê, mas se você quer, corre atrás, não desista, vá até onde você conseguir. E se perceber que a sua corrida não vai te levar a lugar nenhum ou que não vai conseguir alcançar ou pode até te machucar, desista, mas de cabeça erguida. E saiba seu limite e até onde pode ultrapassar. A partir do momento que não está te agradando, procure outras coisas, conheça novos ares… Mas vá atrás de coisas por você” finaliza a dançarina.









