Platão foi quem primeiro usou a palavra amor, emprestando-lhe um sentido completo, o que se pode observar tanto em seu livro o Sofista, onde atribui ao amor um sentido de algo a ser caçado, como no seu outro livro Fedro, quando o amor é tratado como loucura que se incorpora num Deus Poderoso.
Já em seu livro intitulado Leis, Platão tipifica o amor em três espécies: o amor do corpo, o amor da alma e uma mistura de ambos.
Para o filósofo, portanto, o amor do corpo pelo corpo é um mau que não se deixa iluminar pelo amor da alma, que não considera a irradiação “das Ideias” sobre a estrutura corporal.
Ele vai defender, então, que o corpo deva amar pelo amor da alma. O amor é sempre o amor a algo. O amante não possui aquilo que ama, porque se assim o fosse, já não haveria amor, dando lugar à oscilação entre possuir e não-possuir.
Essa visão platônica está longe de ser a versão prevalecente no mundo grego. No ano de 375 a.C., o mundo grego vislumbrava uma terrível derrota, imposta pelas tropas urbanas ao exército Espartano na Batalha de Tegyra.
Banda Sagrada de Tebas, como ficou conhecida a pequena tropa de apenas 300 homens, que lutaram contra um exército de 1000 homens. Esse pequeno número reduzido de guerreiros tebanos eram popularmente conhecidos como Valentes amantes.
De acordo com documentos antigos, todos os componentes da Banda Sagrada eram amantes homossexuais, em 150 pares excepcionalmente bem treinados. Os relacionamentos eróticos entre homens e rapazes, frequentemente um mestre e seu aprendiz, constituíam parte importante da sociedade grega, vista como um ritual pelo qual todo jovem cidadão precisava passar.
Os casais da Banda, era formado de um ERASTES (o mais experiente, ou Amante) e de um EROMENOS (o aprendiz, ou Amado), com idades não tão conflitantes. Formavam 150 pares de homens muito bem treinados em ataques e estratégias.
A profunda conexão entre dois homens era interessante para o campo de batalha. Segundo o filósofo grego Plutarco, no livro A Vida de Pelópidas, “um grupo cimentado pela amizade baseada no amor é inquebrável e invencível, já que os amantes, envergonhados de serem fracos à vista de seus amados, e os amados diante de seus amantes, de bom grado se arriscam para o alívio um do outro”.
Essa é a lógica para o bom desempenho nas batalhas. Após grandes vitórias, a Banda Sagrada acabou perecendo na Batalha de Queroneia, em 338 a.C., contra o rei Filipe II da Macedônia e seu filho Alexandre, o Grande. Os restos mortais do grupo, assim como um antigo monumento em sua homenagem, se encontram na cidade de Queroneia, na Grécia.
Platão acrescenta a seguinte consideração sobre o amor: aspirando ao amado, o ato do amor do Amante engendra a beleza; e aqui surge a motivação metafísica no humano, uma vez que o amor a coisas particulares e seres humanos determinados só podem ser reflexos do amor à ideia do “Belo em Si”.
Dessa estrutura de pensamento conceitual, que nos leva a sua fundamentação do Mundo das Ideias, ou das Formas, de onde tudo emana e onde tudo existe na forma perfeita, “sem corpo”, na justa expressão do amor platônico, porque sob a influência do verdadeiro e puro amor, a alma ascende até à contemplação do Ideal e do Eterno.
Com o advento do Cristianismo, pós-mundo clássico pagão, o amor recobra importância, que, com a Escola de Alexandria produziu a Gnosis do Amor, vindo a desencadear uma acirrada disputa a cerca do puro amor. Com Santo Agostinho, se vincula o amor à caridade.
O apóstolo Paulo, responsável pela construção do Cristianismo nascente e que lançou as bases de uma igreja que se tornaria poderosa, protegida por seus dogmas absurdos e irracionais, foi, sem dúvida, o mais influente de seus teólogos, juntamente com Santo Thomas de Aquino. Suas cartas aos povos pagãos da Bacia do Mediterrâneo não deixaram de levantar polêmicas e de continuar a provocá-las, ao longo de séculos.
Voltaremos ao apóstolo Paulo e sua primeira epístola aos Coríntios (13:1-13), depois de, resumidamente, mostrarmos a tendência atual, quando o assunto é o amor. Atualmente há uma tendência a tomar a palavra “amor” em pelo menos três sentidos principais;
>>nome comum a todas as tendência atrativas, particularmente quando não têm por objeto exclusivo a
>>satisfação de uma necessidade material. Sendo a tendência puramente material, substitui-se o termo amor por interesse;
>>referência à inclinação sexual em todas as suas formas e graus;
>>como tendência diametralmente oposta a egoísmo.








