Filme de “nicho” tem correta adaptação para as telas, mas não é feito para agradar multidão;
Por Douglas Fernandes
O futuro da franquia de “Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell” (2017) caminha para a incerteza. Com a fraca bilheteria mundial e o desastre comercial nos Estados Unidos, o filme que era festejado para se tornar o novo Matrix não agradou o público e vem recebendo críticas mornas. O motivo seria a escalação de Scarlett Johansson como protagonista ao invés de uma atriz asiática.
Polêmicas à parte, o motivo insucesso do filme pode ser atribuído também ao já conhecido termo “fan service”, ou filme pra fã: Vigilante do Amanhã não é uma obra para conquistar as massas e sim, filme de nicho. Logo, sua conexão com o público é sempre limitada.
Dois grandes exemplos podem ser aplicados a esta teoria: Warcraft (2016) e Watchmen (2009). Filmes que encontraram seu público, mas não foram sucessos de bilheteria (o primeiro até se saiu bem no mercado asiático, mas não garantiu sua continuação).
O valor (e expectativa) dos produtores tem sido maior que a quantidade de nicho que esses executivos acreditam existir. Dessa forma, produções baseadas em jogos, quadrinhos ou animes que não são populares e voltados para públicos específicos não terão nunca bilheteria satisfatória. Para este encontro ocorrer, muito do material original teria que abraçar um lado comercial (gerando conflito com seu público fiel).
Dessa forma é injusto depositar o fracasso de Vigilante do amanhã na escalação de Scarlett Johansson. O filme do diretor Rupert Sanders é tecnicamente perfeito, o estilo Cyberpunk está todo lá. As interpretações corretas – com Johansson se destacando no visual -, desde já merece premiação. Trilha impactante, cenários e efeitos de primeira. Tudo voltado para os fãs do anime e dos mangás da obra de Masamune Shirow no qual ele é baseado. Considerado um dos melhores animes já feitos Ghost in the Shell foi todo produzido para atender seus fiéis admiradores.
SINOPSE
A história da Major Mira, uma mulher que após um acidente tem seu cérebro transportado para um corpo cibernético e se vê as voltas com questionamentos sobre à sua humanidade é bem filmada e as cenas são muito bem construídas (aliás uma atração a parte).
O roteiro se esforça ao máximo para deixar todas as informações claras para o grande público e surpreende ao manter muitos dos conceitos da obra original.
Mesmo assim “A vigilante do amanhã” não empolga por que não possui aquilo que as demais produções do gênero possuíam e que aqui não se sustenta: uma ideia tão forte que todo o filme se concentra nela: Os questionamentos sobre tecnologia e alma, o que nos torna ou não humanos.
Foi assim com Blade Runner, foi assim com Matrix. Em “Ghost In the Shell”, essa vertente está presente o tempo todo, tanto nos quadrinhos quanto no desenho de 1990. No cinema isso não foi colocado à disposição do grande público. Ou seja, os expectadores que assistem e saem das sessões satisfeitos são os mesmos expectadores que já conheciam as versões anteriores.








