Artista sofreu uma parada cardíaca na manhã deste domingo enquanto dormia
Da redação e Folha de São Paulo
Um dos pioneiros da performance no país e reconhecido por uma obra que atravessou disciplinas entre música, teatro e artes visuais, Ivald Granato morreu na madrugada deste domingo, aos 66, em São Paulo. Ele sofreu uma parada cardíaca enquanto dormia. Seu corpo será velado no cemitério Gethsêmani, na zona oeste da cidade, onde também será enterrado nesta segunda (04/07).
Granato despontou no cenário artístico do país nos anos 1960, com pinturas e desenhos calcados em elementos autobiográficos e na força dos gestos usados nas composições. Nesse sentido, mesmo seu trabalho em formatos mais convencionais já carregava uma vontade de performance.
Em situações ao vivo e gravadas em vídeo, Granato se firmou ao longo dos anos 1970 como um artista de fato multimídia, construindo uma obra marcada pela ironia, o humor e a crítica ao “establishment” artístico.
Esse posicionamento aflorou com mais força no happening “Mitos Vadios”, que Granato organizou num estacionamento da rua Augusta, em São Paulo, em 1978. Além de Granato, nomes centrais do cenário artístico do país, como Hélio Oiticica, Anna Maria Maiolino e Claudio Tozzi, mostraram suas obras ali e realizaram ações ao vivo.
Na década de 1980, Granato integrou a Banda Performática, projeto musical e artístico liderado pelo artista José Roberto Aguilar. No palco, Granato sempre aparecia com roupas extravagantes, uma espécie de super-herói tropical.
Sua obra iconoclasta e irreverente, que agora pode ser vista numa retrospectiva dedicada ao artista na Caixa Cultural, em Brasília, entrou para a história das artes visuais no país como herdeira e desdobramento da tradição de nomes como o artista e performer Flávio de Carvalho e do pintor e escultor Wesley Duke Lee, que também organizou uma série de happenings.
NOTA: Ivald Granato era nascido na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense e recebeu vários prêmios, entre eles o de melhor ilustrador do ano, da Editora Abril; o “Aquisição”, na 1ª Trienal de Osaka, Japão, ambos em 1990, e o “Jabuti”, como melhor capa de livro-processo de Criação – Darlene Dalto, em 1993.
Seus trabalhos estão nos maiores museus, empresas e coleções particulares do Brasil e do mundo como Masp, Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Coleção Gilberto Chateubriand, Coleção Princessa Gloria Von Thurn e no Palácio da Cultura, em as cidade natal.








