Candidatas do Concurso Miss Plus Size Rio de Janeiro, que acontece nesta terça-feira (2), às 17h, no Imperator, na Zona Norte, falaram ao g1 das guerras que já enfrentaram contra a balança, o espelho e o preconceito, até se reconhecerem lindas e empoderadas.
É o caso da candidata Ana Beatriz, 40 anos, que sempre foi plus size e via as amigas ficando com os meninos na adolescência, mas acabava sem ninguém porque nunca queriam formar casal com a “menina gordinha”.
A insegurança da adolescência a acompanhou na maturidade, cresceu depois da gravidez do primeiro filho e só foi embora quando ela começou a conhecer trabalhos direcionados a mulheres de manequim grande, assim como blogueiras que falam sobre isso.
“Comecei a dar mais valor ao meu corpo plus size e hoje quero mostrá-lo em um concurso de beleza”, diz.
Bulliyng de parentes
A candidata Ane Caroline Lopes, de 32 anos, também teve uma trajetória difícil na adolescência. Ouvia piadas e gracejos na escola, na rua e até de alguns parentes por causa do peso.
“O famoso ‘seu rosto é tão bonito, por que não emagrece?’ era o refrão de disco arranhado que ouvia sempre”, lembra ela, que sucumbiu a remédio e fórmulas para a perda de peso, que até funcionavam por certo tempo, mas depois trazia o chamado “efeito rebote”, engordando o dobro do peso — e mais complexos.
“Nesse processo, descobri uma doença autoimune chamada angioedema hereditário, cujo tratamento ainda favorecia o ganho de peso”, conta.
Ela diz que o jogo virou quando começou a conhecer roupas plus size, ver peças que realmente serviam no seu corpo sem deixá-la feia ou com ar masculinizado e ainda ganhou um convite para desfilar para uma das grifes do ramo.
“A felicidade que eu senti naquele dia, em ser admirada do jeitinho que sou, foi indescritível. Entendi que meu corpo é único e abri um processo de aceitação e amor-próprio. Hoje consigo dizer: sou linda do jeito que sou”, diz orgulhosa.
Violência transformada em arte
Superação de bulliyng, ofensas e até agressão nem sempre é um processo fácil ou possível. Jheniffer Oliveira, de 23 anos, teve que virar Catu Oliveira, MC e poeta, para encontrar na arte um caminho para dizer tudo que viu e ouviu.
Ela sempre tentou enfrentar o mundo de preconceito que dizia não. Mas ficou sem saber o que fazer quando foi agredida por atletas de uma delegação estrangeira durante as olimpíadas da Rio 2016.
“Trabalhava no turno da madrugada quando um grupo de atletas veio até mim e mostrou um vídeo pornográfico. Fiquei sem reação, e riram da minha cara”, narrou.
“Depois, ainda entraram no restaurante da Vila Olímpica, e um dele saiu com uma banana dentro da cueca. Quando chegou na minha frente, ele tirou e atirou no meu rosto e gritou: ‘Eat now fat’ (Coma agora, gorda!). Relatei para o superior nos Jogos, que disse que era ‘brincadeira, que não precisava de escândalo’”, lembra.
Catu lembra que o episódio a machucou, que nada mais foi como antes e acabou entrando em depressão. Ela precisou da ajuda de psicólogos e familiares para começar a superar o episódio.
Ganhou fôlego extra nas chamadas batalhas de Slam (poesia falada), onde já conquistou 44 títulos de campeonatos Brasil a fora. Nas rimas, ela fala sobre padrões, gordofobia, mas ainda enfrenta agressões no palco.
“É muito comum os MCs (principalmente homens) me atacarem falando do meu peso, da minha aparência. Em diversos vídeos, eu consigo atacar de volta mostrando que na vida e no hip hop o que realmente importa é o conteúdo e a essência”, diz ela, que agora quer também o título de miss plus size.
Poder traçado na maternidade
Mas entre as 32 candidatas do concurso, que terá premiação de até R$ 2 mil, também tem que nasce em família empoderada e ensina desde cedo que a beleza também está nas curvas.
É o caso de Vanessa Lourenço, que já era grande desde a maternidade com seus 4,9kg (“Era sem dúvidas o maior bebê do berçário”) e que veio de uma família que nunca praticou bullying e sempre a empoderou com seu corpo.
Ela diz que foi parar no meio dos concursos por um conselho da porta-bandeira Selminha Sorriso. “Ela falou para mim: ‘Irmã, participa do concurso ‘A mais Bela Gordinha do Brasil’, você tem tudo para ganhar’”, lembra ela que aceitou a sugestão e ficou em terceiro lugar em sua primeira tentativa, e agora quer levar o primeiro lugar.

Maiô e vestido de gala
As candidatas do Concurso Miss Plus Size Rio de Janeiro vão desfilar de maiô e vestido de gala. Elas também fizeram aulas com o organizador do concurso, Eduardo Araúju, além de um miniensaio fotográfico.
“Fico emocionado com os depoimentos das concorrentes, que se sentem verdadeiras rainhas com toda a produção disponibilizada a elas”, diz Araúju.
A primeira colocada do concurso vai ganhar R$ 2 mil, coroa e faixa, mas haverá outras oito premiações – dada em roupas e acessórios. Além da categoria principal, há outras seis:
Simpatia (em que as próprias candidatas votam entre si);
Fotogenia (candidata escolhida por fotógrafos profissionais);
Virtual (candidata escolhida pelo público do Instagram);
Sênior (candidatas com mais de 40 anos);
Elegante; (escolhida pelo júri);
Popular (escolhida pelo público do evento).
Miss Plus Size Rio de Janeiro
Quando: 2 de novembro
Onde: Imperator – Rua Dias da Cruz, 170 – Méier ou on-line nos perfis @eduardoarauju e @missplussizerjoficial
Horário: 17h
Ingresso: R$ 30








