A estreia da personagem digital Tilly Norwood, criada por inteligência artificial pela produtora holandesa Eline Van der Velden, provocou uma onda de protestos em Hollywood. Apresentada como “atriz virtual” pela empresa Particle6, Norwood já acumula milhares de seguidores nas redes sociais, mas gerou forte reação de artistas, cineastas e do sindicato norte-americano de artistas, SAG-AFTRA.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (30), a entidade destacou que “a criatividade deve permanecer centrada no ser humano” e afirmou que Tilly “não é uma atriz, mas uma personagem gerada por computador treinada com base no trabalho de artistas profissionais sem permissão ou remuneração”.
A polêmica reacende o debate sobre o uso da inteligência artificial na indústria do entretenimento. Estrelas como Melissa Barrera e Natasha Lyonne criticaram a iniciativa, chamando-a de “nojenta” e “profundamente equivocada”. Lyonne, que dirige o filme Uncanny Valley, defendeu o uso “ético” da IA em conjunto com métodos tradicionais, mas rejeitou substituições de atores por personagens digitais.
O tema já foi central em greves recentes da categoria, que conquistaram salvaguardas para impedir que imagens e atuações de atores sejam replicadas sem autorização. Ainda assim, o uso da IA continua avançando. O Oscar de 2024, por exemplo, premiou O Brutalista, que utilizou inteligência artificial nos diálogos em húngaro.
Van der Velden, responsável pela criação de Tilly Norwood, rebateu as críticas afirmando que a personagem é uma “obra de arte” e deve ser vista como um gênero criativo próprio. “Criar Tilly foi um ato de imaginação e habilidade, assim como desenhar um personagem ou escrever um papel”, publicou em suas redes.
Enquanto a discussão cresce, a atriz virtual segue ativa no Instagram, onde compartilha fotos em cafés, lojas e bastidores de filmagens, acumulando mais de 33 mil seguidores e alimentando o debate sobre os limites da inteligência artificial no cinema.
Da Agência Fonte Exclusiva.








