Um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) da capital sacou a arma em meio a dezenas de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste da capital paulista, na quinta-feira, 17. Houve tumulto e dois estudantes ficaram feridos. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça no 93° Distrito Policial.
Segundo o Metrópoles, o GCM foi identificado como Marcelo Ferreira da Silva. O agente, que estava fora do horário de trabalho, pertence aos quadros da Inspetoria da Câmara Municipal de São Paulo, e foi designado para escolta do vereador Fernando Holiday (PL), mas, no momento do tumulto, ele acompanhava Lucas Pavanato, influenciador de direita e suplente de deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Pavanato foi ao local para gravar um vídeo. Em publicação no Facebook, o influenciador e suplente relatou que foi “agredido na USP”. “Hoje fomos gravar um bate-papo de maneira pacífica na porta da USP e tentaram nos agredir de maneira covarde e tivemos que sair com escolta do local”, disse na publicação.
Na sequência, ele acusou os estudantes de serem “militantes de esquerda que doutrina e perverte os alunos da universidade”.
Nas imagens que circulam nas redes sociais, os alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) relatam que o agente ameaçou os estudantes. Também é possível ver o GCM com a arma em punho enquanto os alunos pedem para que eles saiam do campus.
O que diz a USP
O diretor da FFLCH, Paulo Martins, se pronunciou em vídeo publicado nas redes sociais da instituição. “A nossa faculdade foi, em certa medida, ameaçada na sua integridade física, moral, por pessoas que são externas à Universidade de São Paulo. Não é uma boa notícia que nós viemos aqui trazer”, iniciou.
“Estaremos sempre preparados a tomar atitudes drásticas, principalmente quando, dentro da nossa faculdade, vêm pessoas que estão armadas. Armadas contra professores, contra jovens estudantes, contra funcionários. Não é admissível que devemos tolerar esse tipo de atitude”, disse Martins.
Em nota, a Reitoria da USP repudiou a ação e a descreveu como “inaceitável em qualquer ambiente civilizado. Dentro de uma Universidade, o ato infame se reveste de uma simbologia que atenta contra o espírito essencial da busca do conhecimento e da sabedoria. Esperamos que apurações policiais sejam realizadas para que casos assim não se repitam”, diz o comunicado.







