A bancada de vereadores do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo vai denunciar o vereador Arnaldo Faria de Sá (Progressistas) no Conselho de Ética da casa após ele usar a expressão “negro de alma branca” ao se referir ao ex-prefeito Celso Pitta.
A frase foi dita durante pronunciamento do vereador sobre o Projeto de Intervenção Urbana do Setor Central., no plenário da casa nesta segunda-feira (12).
“Eu me preocupei com um negro, que era o Pitta, o prefeito da capital, que estava escorraçado, estava sendo atacado, vilipendiado. Derrotei o impeachment, ele levou seu mandato até o final. Eu tava preocupado com um negro de verdade, negro de alma branca como as pessoas costumam dizer, não podemos ter essa preocupação de não estar preocupado com todos”, afirmou o parlamentar (ouça gravação acima).
O uso do termo registrado apenas em áudio porque o parlamentar participava da sessão plenária remotamente, com a web câmera desligada.
Repercussão
O discurso gerou indignação entre diversos vereadores da capital, que acusam Faria de Sá de racismo.
Arnaldo com Celso Pitta, quando o mesmo era prefeito de SP (Foto: Divulgação)”Mais uma vez quero pedir respeito aos vereadores, para que não utilizem falas racistas no plenário. Dizer que um negro para ser bom negro precisa ser um negro de alma branca é uma frase absolutamente racista e inaceitável neste plenário”, disse a vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL).
“Utilizar a expressão preto de alma branca para se referir a alguém como um negro de verdade é racista. Não vamos tolerar a utilização dessa expressão entre parlamentares, que deveriam representar o povo, povo majoritariamente negro. A bancada do PSOL vai representar o vereador na Comissão de Ética da Câmara”, afirmou a covereadora negra do mandato coletivo Bancada Feminista do PSOL, Paula Nunes.

Pedido de desculpas
Depois da repercussão, Arnaldo Faria de Sá se desculpou publicamente sobre o episódio.
“Me desculpe, eu errei. Não quero discutir com ninguém. Eu quero só pedir desculpas humildemente”, afirmou o parlamentar, que fazia parte da base de apoio do então prefeito Celso Pitta, que governou a cidade de São Paulo entre os anos de 1997 e 2001.
Faria de Sá foi secretário de Governo do ex-prefeito, que morreu em 2009 em decorrência de um câncer, aos 63 anos. O vereador tem 75 anos e também já foi deputado federal por quase 30 anos, entre 1987 e 2015.
Ministério Público
A bancada do PSOL informou que vai entrar com uma denúncia na corregedoria da Câmara contra o vereador por quebra de decoro parlamentar e também fazer uma representação criminal no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (GECRADI), do Ministério Público de São Paulo.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (DEM), afirmou em nota nesta terça (13) que “não vai tolerar atos de racismo como o registrado na sessão desta segunda-feira (12) no plenário”.
“Como negro que sou, a fala racista do vereador Arnaldo Faria de Sá (PP) machuca, atinge nossa população e é inadmissível. Aos vereadores negros e vereadoras negras, solidariedade. Nesta luta contra o racismo estamos juntos, não há ideologia ou partido que nos separa”, declarou.
As informações são do G1.








