Moradores da Zona Norte do Rio estão desesperados com o valor de suas contas de energia elétrica e afirmam que têm dificuldades para reclamar com a Light. Em alguns casos, como em um prédio em Vila Isabel, segundo os moradores, o aumento das contas foi de quase cinco vezes.
Alguns moradores dizem que conseguiram entrar em contato com a Light, mas outros afirmam que não tiverram sucesso.
“A minha conta em média é em torno de R$200, R$300, até porque eu moro sozinho. E aí, essa do mês de maio veio R$ 1.100”, contou o enfermeiro Fernando Cruz.
A aposentada Marinadia Lopes acredita que a companhia esteja agindo até de má-fé.
“Se há uma estimativa, essa estimativa não pode ser para mais. E depois pegar todo o valor que veio na conta e ser cobrado de uma vez só. Meu débito é automático. Se o débito é automático, eu não tenho esse crédito, minha conta vai ficar negativa”, disse a aposentada.
Na Vila da Penha, na Zona Norte, o aposentado David Gonçalves reclama que as contas de janeiro e fevereiro vieram com o mesmo vencimento: 10 de fevereiro. E que mesmo depois de ligar para a Light, o erro se repetiu.
“Em março e abril vieram duas contas de novo juntas. São valores de R$800, uma de R$600. Eu tive que pedir dinheiro emprestado, senão minha luz ia ser cortada”, disse o aposentado.
A Secretaria de Defesa do Consumidor orienta os clientes a ficarem atentos, não só ao aumento do valor da conta, mas também em relação ao consumo de energia gasta por hora. Caso haja uma diferença muito grande de um mês para outro, o consumidor deve procurar imediatamente a concessionária responsável.
“E pedir a um técnico para reavaliar o seu medidor. Em qualquer das situações em que cliente não consiga ter sua demanda atendida com a concessionária, entre em contato com a Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor e o Procon”, disse o secretário de Defesa do Consumidor, Rodrigo Amorim.
Segundo o Procon-RJ, entre janeiro e abril deste ano, foram registradas 513 reclamações contra a Light. E no ranking de processos acompanhados pela Defensoria Pública, no ano passado a concessionária foi a quinta empresa mais processada.
O coordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública (Nudecon), Eduardo Chow, a Light deve adotar uma conduta conciliadora.
“A Light deve tomar uma conduta pró-ativa, conciliadora, reparando os danos e cessando essa conduta ilícita com os consumidores que estão nessa situação inadequada. Caso a Light não tome essas providências, os consumidores podem e devem utilizar os caminhos judiciais para pleitear em juízo uma ação de danos materiais e morais”, disse Chow.
Os moradores agora só querem reaver o que foi pago a mais, como é o caso da merendeira Maria das Graças.
“Eu acho um absurdo. Acho o fim da picada uma conta vir R$948. Nem no verão eu paguei isso tudo. Para mim, que sou merendeira, pagar uma conta absurda dessa é bem difícil. Então, gostaria que a Light revisse tudo isso”, disse Maria das Graças.
A Light informou que vai analisar, individualmente, cada caso dos moradores do condomínio de Vila Isabel, na Zona Norte. E que a cobrança por estimativa relatada na reportagem é um procedimento autorizado pela Aneel, e ocorre quando o leiturista não consegue acesso ao medidor de energia.
Sobre a situação de David Gonçalves, da Vila da Penha, na Zona Norte, a Light afirmou que, embora as contas tenham a mesma data de vencimento, as faturas são referentes a períodos de consumo distintos.
As informações são do g1.








