O prefeito de Campos dos Goytacazes (RJ), Wladimir Garotinho (PP), dá sinais de incerteza e arrependimento por ter trocado um mandato de deputado federal pela Prefeitura em 2020. A informação foi divulgada pelo Diário da Guanabara.
De acordo com a reportagem, em postagem na sua página no Instagram, Wladimir afirmou que ainda tem dúvidas se valeu a pena deixar se valeu a pena trocar o mandato parlamentar pelo de prefeito na cidade que detém um dos maiores orçamentos na zona produtora de petróleo da Bacia de Campos.
A postagem eleva o nível de desconfiança em relação aos planos de Wladimir. O Diário da Guanabara destacou que alguns aliados interpretaram o texto como sintoma de arrependimento, outros como receio de uma disputa mais acirrada na eleição deste ano e alguns como intenção de renunciar num eventual segundo mandato para tentar retornar à Câmara Federal em 2026.
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Luta pela sobrevivência política
Filho do casal Rosinha e Anthony Garotinho, Wladimir se elegeu prefeito no segundo turno, em 2020, por uma margem apertada de votos, enfrentando o então adversário Caio Vianna (MDB), atualmente seu aliado.
Foi uma disputa praticamente entre dois clãs, Garotinho e Vianna, famílias que se revezam no poder em mais de duas décadas. Esta aliança é apontada como tentativa de sobrevivência das duas oligarquias. O alto índice de abstenção, votos brancos e nulos foi maior do que a votação de Wladimir e do adversário.
O atual prefeito sucedeu Rafael Diniz (Cidadania), adversário que herdou uma administração falida da antecessora Rosinha Garotinho.
“Passados 3 anos e 6 meses, fica a dúvida inicial: Valeu a pena? Essa resposta não cabe a mim, cabe aos campistas que sabem como encontramos a cidade, o que vivemos a bem pouco tempo e onde podemos chegar agora que a casa está arrumada”, escreveu o prefeito.
Mesmo orçamentos recordes, acima de R$ 3 bilhões/ano, a cidade de Campos vivencia uma crise sem precedentes na saúde, no sistema de transporte, com falta de regularidade e frota sucateada nas linhas urbanas e distritais.
O desemprego também é alto. Entre 500 mil habitantes, mais de 200 mil pessoas estão cadastradas no CadÚnico para receber auxílio social, seja do governo municipal ou Federal.
O prefeito também enfrenta denúncias na Justiça Eleitoral por conta do escândalo de RPAs. Estima-se que cerca de 20 mil trabalhadores estejam trabalhando nesta condição na máquina municipal, muitos por indicação de vereadores e candidatos da base governista. Por meio de sites alinhados, o governo noticiou recentemente que tem autorização do Ministério Público RJ e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para manter esses trabalhadores clandestinos na folha de pagamento.








