Em Niterói, quatro pacientes estão internados na rede particular com sintomas do “mau da vaca louca”
Da redação
A Vigilância em Saúde do município de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, irá vacinar os moradores da região do Imbé, na zona rural, contra febre amarela. A imunização será nesta sexta-feira (03/03), das 8h às 16h. As informações são da superintendência de Comunicação Social do Município.
A intenção é promover um bloqueio vacinal em função das suspeitas de contágio. A população ficou alarmada depois que um macaco foi encontrado morto na comunidade de Conceição do Imbé. A região é coberta pela mata atlântica e a suspeita é de que o primata tenha morrido em decorrência da febre amarela.
As autoridades sanitárias do município, no entanto, esclarecem que não há motivo para pânico, pois não há nenhuma confirmação sobre a causa da morte. O macaco foi levado para o Centro de Controle de Zoonoses e será encaminhado para o Rio de Janeiro para análise.
De acordo com a prefeitura, a vacinação na região do Imbé já estava prevista dentro do calendário estabelecido pelo Estado, mas foi antecipada em alguns dias por prevenção.
A vacina contra a febre amarela é destinada a população na faixa etária entre 9 meses e 60 anos. Não podem ser vacinados os pacientes com câncer, HIV positivo, alérgico a proteína do ovo e a gelatina, pacientes que estejam usando medicamentos como corticoide, gestantes e que estejam amamentando.
SINTOMAS DA “VACA LOUCA”
Na cidade de Niterói, Região Oceânica do Rio, quatro pacientes com diagnóstico da Doença de Creutzfeldt–Jakob (DCJ), que tem uma variação chamada de “mal da vaca louca”, estão internados em diferentes hospitais da rede particular. As informações são do Jornal O Fluminense.
De acordo com a Coordenação de Vigilância em Saúde do Município, três pacientes foram notificados no final do ano passado e um neste início de ano. Os casos estão sendo monitorados pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), que até o momento não confirma nenhuma morte.
Em nota a Prefeitura de Niterói afirma que “não há até o momento evidências da relação desses casos suspeitos com o consumo de carne bovina”.
Para médico neurologista Marcus Tulius, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e neurologista do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), apesar dos sintomas serem os da Creutzfeldt–Jakob (DCJ), não há evidências de que seja a variação transmitida pelo consumo de carne infectada. Ou seja, não motivo para a população da cidade se preocupar ou deixar de participar de churrascos, por exemplo.
“É importante dizer que o que se chama de doença da vaca louca é a variante da doença de Creustzfeldt-Jakob (DCJ). Esta variante pode ser adquirida através da ingestão de carne contaminada com o príon, a partícula proteica que causa a doença e que causa as alterações no encéfalo que resultam nas lesões irreversíveis. Não há em nosso meio evidências de que a carne bovina está contaminada. Não há risco portanto. O sistema de vigilância sanitária brasileiro é bem rigoroso”, explica.
Já a doença de Creustzfeldt-Jakob é uma doença humana, com média de 1 a 2 casos por milhão de habitantes, prossegue o especialista.
“É doença letal, que causa uma demência de rápida evolução. Há raros casos hereditários, mas a maioria é dita esporádica. Ela também pode ser transmitida para outras pessoas caso partículas do sistema nervoso sejam inoculadas em outra pessoa. Isto porque a partícula priônica (o príon) é transmissível e infectiva. Isto pode ocorrer por exemplo em material cirúrgico utilizado em neurocirurgia não esterilizado adequadamente. Assim, quando um caso suspeito de DCJ é operado, o material deve ser descartado”.
Ainda segundo o neurologista, não há tratamento ou cura. Os pacientes evoluem ao óbito em poucos meses após o diagnóstico. O diagnóstico é feito através de Exame neurológico, ressonância do crânio e análise do liquor. A biópsia cerebral pode também. Ser usada, mas quase não é necessária.
“É doença de rápida evolução. Média de 4 a 6 Meses de sobrevida geralmente”, completa.
HISTÓRICO DA DOENÇA
Os primeiros casos do “mal da vaca louca” surgiram em 1996 no Reino Unido e diferentemente da forma tradicional (DCJ), essa variação acomete predominantemente pessoas jovens, abaixo dos 30 anos. Diversos exames ajudam no diagnóstico de um caso suspeito para DCJ ou DCJ.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a definição de um caso suspeito da doença se baseia nas análises dos exames, sinais e sintomas e história epidemiológica do paciente. Sendo assim, ela pode ser definida como possível, provável e definitiva, mas a confirmação final só pode ser feita através da necropsia com a análise neuropatológica de fragmentos do cérebro.








