A criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro, implementada para reduzir o controle do tráfico nas comunidades, acabou gerando um efeito inesperado em nível nacional. Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a política de ocupação territorial fez com que líderes do Comando Vermelho (CV) deixassem o estado, provocando a expansão da facção para outras regiões do país.
O coordenador de Análise de Conjuntura Nacional da Abin, Pedro de Souza Mesquita, afirmou que essa dispersão de criminosos começou em 2013 e alcançou o ponto máximo em 2024. Ele destacou que o CV passou a atuar em estados como Tocantins, Pará, Rondônia, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, além de consolidar presença em Minas Gerais e São Paulo.
De acordo com Mesquita, o crescimento foi impulsionado por alianças entre o CV e grupos locais que buscavam conter o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC). A estrutura mais descentralizada do CV teria favorecido o acesso a armas e drogas em novas áreas.
Enquanto isso, o PCC vem se expandindo internacionalmente, com presença já confirmada em 28 países. Segundo a Abin, o grupo paulista é hoje o principal desafio à segurança regional e à estabilidade do Brasil diante da comunidade internacional.
O governo do Rio reconheceu que a falta de políticas sociais sustentáveis nas áreas ocupadas pelas UPPs contribuiu para a migração dos criminosos, reforçando a necessidade de integração entre os poderes federal, estadual e municipal no combate ao tráfico.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








