Vereadores poderão afastar prefeito nesta quinta-feira (29/10) e estancar a corrupção que paralisa a administração da cidade na Região Serrana do Rio |
Da revista VIU!
Teresópolis, cidade com pouco mais de 170 mil habitantes na Região Serrana do Rio, sobreviveu a uma catástrofe em 2011, para em seguida mergulhar no submundo da corrupção. O prefeito da cidade, Arlei de Oliveira Rosa (PMDB), que foi afastado do cargo e conseguiu retornar por meio de medidas impetradas no Tribunal de Justiça, é o grande catalizador de uma crise política que emperra a retomada da normalidade administrativa.
Arlei enfrenta uma Comissão Processante na Câmara de Vereadores por suspeitas de enriquecimento ilícito. Ele é apontado como proprietário do Haras 88, na cidade de Sapucaia, na divisa com o Estado de Minas Gerais, um patrimônio avaliado em R$ 3,5 milhões, utilizado para criação de cavalos de raça cotados em R$ 100 mil no mercado.
Ex-vereador eleito no interior, o patrimônio está bem acima dos seus vencimentos. Isso, no mínimo, demonstra que o cargo político na vida do prefeito foi uma loteria. Ao conquistar a prefeitura, conseguiu se tornar um homem próspero. Como a vida pública anda distante da santidade, milagres financeiros dificilmente acontecem nesses ambientes contaminados pela promiscuidade.
Depois de ser afastado pelo juizado de primeira instância e conseguir retornar ao cargo por meio de recurso no Tribunal de Justiça, o prefeito de Teresópolis agora poderá cair por decisão do legislativo. A votação do resultado da investigação da Comissão Processante que apurou o “milagre” do Haras 88 será no dia 29 de outubro. A comunidade local acompanha a novela com atenção voltada para o comportamento dos vereadores, que poderão tomar uma decisão histórica no município, varrendo da prefeitura um político que virou as costas para todos os princípios de moralidade que devem reger a administração pública.
O prefeito, na atual circunstância, já não tem muito a perder. O nível de instabilidade do governo permite afirma que a administração acabou antes do tempo. Se ficar no cargo vai sangrar até o último minuto. Se cair, encerra a agonia. No jogo de perde e ganha, os que terão a perder são os vereadores da base governista. Em véspera de ano eleitoral, atrelar-se a um governo moribundo é optar pela famosa condição de abraço dos afogados.
Nesta agonia prolongada, perde a cidade, que tem a prefeitura como forte indutor da economia, mas que está no estágio de paralisia absoluta. O dinheiro não circula na cidade, porque os fornecedores do município não recebem e teme formalizar novos contratos. Por uma razão simples: o destino é incerto.
Jogou a sorte no lixo
Arlei de Oliveira Rosa, com formação incompleta no ensino fundamental, jamais poderá dizer que não foi agraciado pela generosidade divina. Eleito vereador na zona rural, ganhou a presidência da Câmara por uma casualidade. Nenhum dos seus pares almejava o cargo. Como o cavalo estava encilhado em sua porta, embarcou.
Em 2011, a cidade foi castigada por uma das maiores catástrofes do país. As chuvas devastaram Friburgo e Teresópolis. Verbas da União foram liberadas em caráter emergencial para socorrer as vítimas. O dinheiro farto em meio a desgraça escancarou as portas para a corrupção. O então prefeito, Jorge Mário, foi cassado por acusação de desvio de verbas. O vice, Roberto Pinto morreu de infarto dias depois de assumir o cargo. Sobrou para Arlei.
No cargo de prefeito, disputou a reeleição contra Mário Trincano. Arlei perdeu, mas Trincano teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Com isso, Arlei, mesmo perdendo, levou.
O cargo o seduziu para hábitos mais sofisticados. Um deles é a criação de cavalo de raça, um bom negócio em vários sentidos: movimenta recursos e também é descrito como lavanderia de dinheiro. Não se sabe se Arlei chegou a fazer isso.








