Uma coisa não se pode negar: o prefeito de Campos Wladimir Garotinho (PSD) é destemido, audacioso e não dá a menor bola para os órgãos de controle externo.
Nesta terça-feira, dia 12 de outubro, dia das crianças, ele apareceu servindo comida no Restaurante do Povo, obra que foi reaberta pelo governo do Estado para alimentar a população de baixa renda do município.
Até aí nada demais, não fosse o acompanhamento da refeição: um guaraná da marca Guaracamp.
A fábrica de guaraná foi financiado pelo Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), mantido com recursos dos royalties do petróleo. Atualmente a marca tem como representante comercial na cidade a ex-governadora Rosinha Garotinho, mãe de Wladimir, conforme relata inúmeras matérias jornalísticas e a própria rede social da matriarca.
O Guaraná, inclusive, é vendido na bolaria que a ex-governadora inaugurou no centro da cidade.
É a confusão escancarada entre público e privado. Para completar essa farra comercial, o site da Prefeitura que cobriu a visita do prefeito ao Restaurante Popular, faz um merchandising despudorado do Guaracamp, assim como o próprio Wladimir.
Isso tudo no site oficial do município que deveria ser inteiramente dedicado às informações institucionais.
De onde vem tanta coragem
Não é possível deduzir se o flagrante destemor é por desconhecimento da legislação (algo inconcebível para um gestor público) ou por intenção de mostrar quem verdadeiramente manda na cidade, porque isso acontece na sequência de episódios turbulentos na história do garotismo, que foi a sucessão de prisões durante as eleições de 2016 por abuso do poder político e do poder econômico.
Se é por desconhecimento, é aconselhável que o prefeito retire essas peças publicitárias travestidas de informações institucionais no site da Prefeitura o quanto antes, até porque coisas muito menos graves já provocaram inelegibilidade no âmbito do próprio grupo político. A pergunta que não cala: ainda tê juízes em Berlim?








