Recente posicionamento do Ministério Público, Sindicato e decisão da justiça demonstra que os tempos serão sombrios
Na recente decisão do juiz da 3ª Vara Cível de Macaé, Sandro de Araújo Lontra, proibindo o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), de pagar o 13º salário dos policias do 32º Batalhão de Polícia Militar, alguns tópicos chamam a atenção e deveriam acionar o sinal de alerta para o governo e o legislativo.
O primeiro deles é que todos os promotores da cidade assinaram a ação protocolada contra o pagamento. Isso pode ser um indicativo de que a rotina da administração não será tão tranquila, caso haja judicialização.
O segundo tópico foi a postura resoluta do Sindicato dos Servidores Públicos de Macaé (Sindservi) contra a medida. A presidente da entidade, Rose Mary Gomes erigiu barricadas por meio de entrevistas à imprensa e presença ostensiva nas sessões do legislativo local.
Segurança pública é responsabilidade do governo do Estado. O governo Pezão ainda não pagou o 13º da tropa e mantém atrasos sistemáticos na folha salarial. Ao se comprometer com o pagamento do abono natalino que o Estado deveria ter depositado até o dia 24 de dezembro do ano passado, Dr. Aluízio chamou o problema para si. Levou o bode para dentro do seu gabinete e olha que o risco de colapso na segurança pública da cidade foi zero.
Bem fez o prefeito de Vitória-ES Luciano Resende (PPS), que esteve diante de uma verdadeira calamidade. Durante a crise de segurança pública que assolou o Estado do Espirito Santo, principalmente a capital capixaba, ele recolheu-se e deixou o pepino nas mãos do governador Paulo Hartung e do presidente Michel Temer. Só saiu do casulo depois que a crise serenou. Quando a Força Nacional chegou para patrulhar as ruas da cidade, Resende acionou a Guarda Municipal para atuar em apoio. Poupou-se do desgaste.
Dias antes de anunciar o pagamento a PM, durante entrevista a Inter TV, Dr. Aluízio falava sobre crise econômica, o que, segundo ele, dificultaria a concessão de reajuste para o funcionalismo. Desde o ano passado os servidores não recebem aumento. Agora, com a data base da categoria se aproximando (será em maio) ele ficará numa saia justa durante o processo de negociação. Como dizer que não tem dinheiro para reajustar salário de servidores se pretendia pagar o 13º da PM? Terá imensa dificuldade para dizer não aos 17 mil servidores.








