Dezenas de trabalhadores que prestam serviços à Prefeitura de Carapebus, Norte Fluminense, participaram de um protesto nesta quinta-feira (10), contra o atraso no pagamento de salários.
Os servidores são vinculados à Contrab, uma cooperativa que ganhou licitação para cessão de mão de obra na área de limpeza de órgãos municipais. Eles não recebem salários desde dezembro do ano passado.
São cerca de 500 cooperativados, a maior parte ganhando salário mínimo, e muitos deles já estariam passando fome. Os trabalhadores pela manhã foram à sede da cooperativa e conversaram com dirigentes.
Logo depois, seguiram para a porta da Prefeitura, onde realizaram o protesto e foram recebidos, juntamente com representantes da cooperativa, por secretários municipais.
Na edição desta quinta-feira (10), do programa Direto da Redação, o jornalista Roberto Barbosa exibiu cópias dos contra cheques do prefeito, que demonstra que ele recebeu o pagamento referente a 45 dias: ou seja, desde o dia que assumiu o governo no dia 15 de dezembro de 2021 até janeiro de 2022.
O demonstrativo gera um desconforto para o novo prefeito, que se elegeu com discurso de austeridade e moralidade, e tenta passar a imagem de evangélico na linha neopentecostal. No momento em que não paga salários dos trabalhadores de baixa renda, o prefeito mantém as maiores rendas de cargos comissionados dos cargos comissionados em dia.
Para justificar atrasos nos pagamentos dos terceirizados, o governo alega que falta regularização de documentos da cooperativa. Os representantes da cooperativa, no entanto, afirmam que a documentação está de acordo com todas as formalidades exigidas pela legislação, mas atendeu novas exigências à pedido da administração.
Em uma gravação obtida pelo Portal VIU!, uma representante da cooperativa que participou de uma reunião com representantes do governo na manhã desta quinta-feira, se queixa com secretários da falta de interlocução por parte da atual administração para solucionar os entraves burocráticos e pede celeridade ao governo para pagar os funcionários.
Ela diz no áudio que chegou a passar informações ao próprio prefeito sobre a situação contratual e dos cooperativados, mas depois de um encontro com o novo gestor, o canal de comunicação deixou de existir. A Prefeitura ainda não divulgou data para realizar o pagamento aos cooperativados.
Posse recente
O prefeito da cidade, Bernard Tavares (Republicanos) foi empossado no dia 15 de dezembro do ano passado, depois de vencer uma eleição suplementar realizada em novembro.
A eleição foi marcada pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) depois que a prefeita Cristiane Cordeiro (PP), reeleita em 2020, teve o mandato cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Desde a posse do novo prefeito, os problemas de pagamento de cooperativados começaram e há rumores de que o município pretende encerrar o contrato para trazer OS (Organizações Sociais) para terceirizar mão de obra.
Os trabalhadores cobram um posicionamento da Câmara de Vereadores, que está omissa diante da situação, assim como o Ministério Público do Trabalho (MPT), núcleo Macaé.
O drama dos cooperativados do município do Norte Fluminense é tema de várias reportagens do programa Direto da Redação, apresentado pelo jornalista Roberto Barbosa direto do Estúdio VIUDITIVAL para um pool de emissoras de rádio e televisão no Norte, Noroeste Fluminense, Região dos Lagos, Baixada Litorânea e Costa Verde.







