Um dos homens suspeitos de envolvimento no ataque à sede da produtora Porta dos Fundos já está identificado pela Polícia do Rio de Janeiro. Trata-se de um empresário com perfil violento e ligado a movimentos radicais.
Ele foi identificado como Eduardo Richard Cerquise e nesta quarta-feira (31), a Polícia executou mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao suspeito, dois residenciais e dois comerciais.
Em um dos endereços, segundo a Polícia, foram apreendidos R$ 119 mil em dinheiro, municação, computadores, um simulacro de arma de fogo e uma camisa de entidade ligada à filosofia e política.
As investigações estão sendo conduzidas pelo delegado titular da 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo), Marco Aurélio de Paula Ribeiro. Segundo ele, o suspeito está com prisão decretada pela Justiça e no momento é considerado foragido, mas, por enquanto, o seu nome ainda não será incluído na lista vermelha da Interpol.
“Estamos à procura do investigado, as provas foram produzidas, a prisão foi decretada pela Justiça baseada nas provas que obtivemos e as diligências continuam no intuito de localizá-lo. Nos endereços que ele declara como de residência, não foi encontrado”, disse o delegado em entrevista ao portal UOL.
As investigações alcançaram Cerquise por meio do sistema monitoramento que identificou os veículos usados no ataque à sede da produtora.
As imagens mostram o momento em que o suspeito sai de um dos veículos durante a fuga e pega um táxi.
“Foi expedido um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele, que, no decorrer das investigações, pode ser renovado”, afirmou o delegado.
As investigações continuam com intuito de localizar e identificar os outros autores do crime.
O delegado destacou que Cerquise tem um perfil violento. É colecionador de livros ligados à religião cristã, ao islamismo, segundos dados obtidos durante a busca e apreensão. Ele também é empresário e classe média alta. A Polícia espera chegar aos outros envolvidos no episódio.
Cerquise tem outras acusações por agressão e ameaças, inclusive uma pela Lei Maria da Penha e a situação dele, segundo o delegado, se agrava por ter antecedentes criminais.
ENTENDA O CASO
O ataque a bombas ao edifício da produtora Porta dos Fundos aconteceu na terça-feira (24), às vésperas do Natal, supostamente em protesto contra a produção “A Primeira Tentação de Cristo”, exibida na Netflix.
Ao menos três homens lançaram coquetéis molotov contra o prédio. Um vigia que trabalhava no local apagou as chamas. Ninguém se feriu. Um grupo neofacista reivindicou a autoria do ato, por meio de vídeo divulgado nas redes sociais.
Desde que estreou a produção “A Primeira Tentação de Cristo”, o Porta dos Fundos sofre críticas de grupos religiosos e conservadores em redes sociais e enfrenta ações na Justiça para retirada do conteúdo. O filme satiriza a vida de Jesus, o qual se descobre gay após 40 dias no deserto.








