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RJ registra operações mais letais da história em pouco mais de 1 ano

Incursão das polícias militar e civil no Complexo do Alemão, nesta quinta-feira (21), com 18 mortos, é a quarta mais letal da capital fluminense

redacao Por redacao
22/07/2022 - 11:15
em Cidade
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mORTES EM OPERAÇAO NO ALEMAO

Moradores retiram corpos no Alemão — Foto: Reprodução/TV Globo

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A letalidade das forças de segurança do estado em comunidades do Rio de Janeiro vem crescendo. Somente nos últimos 14 meses, a capital fluminense registrou três das quatro operações mais letais de toda a história. Nesse período, foram 71 mortos em apenas três ações na cidade do Rio.

A mais letal entre todas as ações envolvendo agentes públicos aconteceu no Jacarezinho, na Zona Norte, em maio de 2021, quando 28 pessoas morreram. Um ano depois, em maio de 2022, 25 pessoas foram mortas durante uma operação policial na Vila Cruzeiro, também na Zona Norte.

Nesta quinta-feira (21), uma ação com policiais militares e civis resultou em mais 18 mortos durante a incursão no Complexo do Alemão, outro conjunto de favelas da Zona Norte do Rio. Entre os assassinados estão uma mulher, um policial e 16 suspeitos, segundo a PM.

As três operações organizadas por forças de segurança pública estão em destaque em uma lista que contabiliza mortes, mas que também retrata a rotina de quem vive em comunidades carentes na Cidade Maravilhosa.

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Veja as operações mais letais da cidade do Rio de Janeiro:

Jacarezinho (maio de 2021) – 28 mortos;
Vila Cruzeiro (maio de 2022) – 25 mortos;
Complexo do Alemão (junho de 2007) – 19 mortos;
Complexo do Alemão (julho de 2022) – 18 mortos;
Senador Camará (janeiro de 2003) – 15 mortos;
Fallet/Fogueteiro (fevereiro de 2019) – 15 mortos;
Complexo do Alemão (julho de 1994) – 14 mortos;
Complexo do Alemão (maio de 1995) – 13 mortos;
Morro do Vidigal (julho de 2006) – 13 mortos;
Catumbi (abril de 2007) – 13 mortos;
Complexo do Alemão (agosto de 2004) – 12 mortos;

Se considerarmos os números de todo o estado, a lista das operações com mais mortes teria que incluir uma ação da PM na Vila Operária, no Município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em janeiro de 1998, que terminou com 23 mortos.

77 mortes no Complexo do Alemão

Como é possível observar na lista das operações mais letais da cidade do Rio de Janeiro, a terceira operação com o maior número de mortes na capital do estado também aconteceu no Complexo do Alemão, em 2007, com 19 pessoas assassinadas.

A Zona Norte do Rio é de longe a região mais afetada pela violência durante operações das polícias. Das 11 ações registradas na lista, sete aconteceram em favelas da Zona Norte. Desse total, cinco foram no Complexo do Alemão. Ao todo, são 77 pessoas mortas em apenas cinco operações policiais naquele conjunto de favelas.

Há pouco menos de 4 km de distância do Complexo do Alemão, está o conjunto de comunidades conhecido como Complexo da Penha, onde se encontra a favela da Vila Cruzeiro. Lá, ocorreu a segunda operação mais letal da história, com 24 mortos. Ou seja, nessa pequena parte da cidade, 101 pessoas perderam suas vidas durante apenas seis ações das polícias do estado.

A mais letal da história do RJ

A operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro aconteceu no dia 6 de maio de 2021, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. Nesse dia, 28 pessoas morreram.

Um dos mortos foi o policial civil André Leonardo de Mello Frias, da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod). Na época, a Polícia Civil informou que os outros 27 assassinados eram criminosos, mas não revelou as identidades ou as circunstâncias em que foram mortos.

Um ano depois da operação mais letal da história, o g1 mostrou que 10 de 13 investigações do MP sobre o caso foram arquivadas. Os inquéritos arquivados são relacionados a 24 das mortes – mais de 82% do total.

Os policiais Douglas Lucena Peixoto Siqueira e Anderson Silveira Pereira, ambos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), são réus na Justiça pela morte de Omar Pereira da Silva, de 21 anos, baleado no Beco da Síria.

O sociólogo Daniel Hirata, do Geni/UFF, classificou a operação como inaceitável e disse, na época, que a ação foi mais grave do que chacinas como a da Baixada Fluminense, em 2005, ou a de Vigário Geral, em 1993.

“Foi a operação mais letal que consta na nossa base de dados, não tem como qualificar de outra maneira que não como uma operação desastrosa (…) É uma ação autorizada pelas autoridades policiais, o que torna a situação muito mais grave”, comentou o pesquisador.

25 mortos na Vila Cruzeiro

Em maio de 2022, policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizaram uma operação na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Com 25 mortos, a ação na favela da Zona Norte foi a segunda mais letal do estado.

O comando da Polícia Militar afirmou que a operação estava sendo planejada há meses, mas foi deflagrada de modo emergencial para impedir uma suposta migração de traficantes para a Rocinha, na Zona Sul.

Complexo do Alemão na terceira posição

Na última quinta-feira (21), moradores do Complexo do Alemão voltaram a acordar com a troca de tiros entre criminosos e policiais, além do barulho de helicópteros sobrevoando a comunidade e virando alvo de tiros traçantes.

Ao todo, 18 pessoas morreram ao longo da operação. O contingente policial chegou a 400 agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.

Também foram utilizados 4 helicópteros e 10 veículos blindados durante a ação.

De acordo com o porta-voz Ivan Blaz, as vítimas são:

O cabo da PM Bruno de Paula Costa, atingido no pescoço em ataque à UPP da Fazendinha;
Letícia Marinho de Sales, de 50 anos, baleada dentro do carro — segundo parentes, por um policial;
16 criminosos (confira a lista dos identificados).
Segundo informações da Polícia Militar, quatro pessoas foram presas durante a operação, além das apreensões de uma metralhadora .50 (capaz de derrubar helicóptero), quatro fuzis e duas pistolas.

Estudo: letalidade não diminui violência

Um levantamento de 2019, feito pelo Ministério Público, mostrou que o aumento da violência policial não diminui a ocorrência de crimes ou de homicídios no Rio. O estudo conclui que:

letalidade policial não provoca redução de homicídios e roubos;
Rio tem a polícia mais letal, mas está entre os 10 mais violentos;
áreas onde há maior redução de assassinados não tiveram aumento de mortes por policiais;
ações policiais esporádicas não foram capazes de reduzir o problema da segurança pública;
confrontos aumentam risco de matar inocentes e afetar serviços públicos.
Durante a operação mais letal do RJ, no Jacarezinho, em 2021, moradores relataram mais mortes que as computadas oficialmente, além de corpos no chão, invasão de casas e celulares confiscados.

Dois passageiros do metrô foram baleados dentro de um vagão da linha 2, na altura da estação Triagem, e sobreviveram (veja no vídeo acima). Um morador foi atingido no pé, dentro de casa. Dois policiais civis também se feriram.

As informações são do g1.

Tags: #Complexo do Alemão#Operação #Polícia Civil#Violência no RJ
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