Os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) que aderiram as atividades acadêmicas remotas emergenciais durante a paralisação das aulas presenciais por conta da pandemia do novo coronavírus estão passando por uma crise com a reitoria da UENF.
A Universidade é considerada uma das melhores do país, mas não tem internet banda larga e a maioria dos alunos não possuiu computadores. Em agosto, a secretária estadual de Ciência e Tecnologia anunciou R$ 4 milhões para instituição comprar equipamentos e serviços para atividades remotas, mas a verba ainda não foi aplicada.
Em postagem no Twitter, o Diretório Central de Estudantes (DCE) anunciou para os alunos que não seriam cobradas notas para avaliar os alunos ao final das Atividades Acadêmicas Remotas Emergenciais. Segundo o DCE, a medida foi aprovada pelo Consuni.
Na nota da Associação dos Docentes da Uenf (ADUENF), rebate o DCE e acusa da ligação do Diretório com a reitoria da universidade.
“A Diretoria do DCE, aliada desde o processo eleitoral ao então candidato Raul Palácio, comparecendo inclusive a atos políticos ostentando adesivos de sua campanha, une-se às forças conservadoras em uma conjuntura política de ataque à categoria docente e aos serviços públicos ao somar esforços ao denuncismo macarthista do Escola Sem Partido e do ex-ministro fugitivo Abraham Weintraub” disse um trecho da nota.
Outro trecho lamenta a atitude da reitoria citando a insegurança jurídica. “Nesse contexto lamentável de insegurança jurídica criado pelo processo improvisado e atabalhoado que produziu a Resolução CONSUNI No. 06/2020 e a Resolução COLAC No. 01/2020, a ADUENF dará pleno apoio tanto aos docentes que optaram por oferecer as AAREs quanto àqueles que se decidiram por não oferecê-las ou mesmo que se arrependeram e decidiram por cancelá-las diante dos problemas que se revelaram na prática” prosseguiu.
Por fim, a associação mostra preocupação com a qualidade do ensino. “Reforçamos, ainda, que muitos desses problemas foram previamente debatidos pela ADUENF em uma série de lives e nos documentos que produziu, como a Nota Conjunta assinada com a ADUFF, ASDUERJ, ADUNIRIO e ADESFAETEC, em que apontamos o caráter excludente das atividades remotas, que penaliza especialmente os estudantes pobres e as mulheres docentes, que no período de isolamento social precisam conjugar o trabalho remoto com o cuidado, às atividades domésticas e a supervisão escolar dos/as filhos/as”, diz a nota.
Por meio de postagens em redes sociais, a reitoria dá demonstrações de que apoia os alunos, o que já leva alguns docentes a prever uma crise institucional na instituição. As tensões se agravaram desde a posse do novo reitor Raul Palacio.








