Morto por um policial militar em um quiosque na praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, o policial federal Francisco Elionezio Braga Oliveira, de 38 anos, era casado e pai de três crianças e, recentemente, condecorado após salvar uma menina de 7 anos que se engasgou em um restaurante em Brasília. Um dos filhos do agente, um bebê recém-nascido, tem apenas um mês de vida.
Francisco Elionezio Braga Oliveira era pai de três crianças: uma 6 anos, outra de 5 e um bebê recém-nascido, com apenas um mês de vida. O agente também deixa uma esposa, uma escrivã da Polícia Federal, também lotada no Rio de Janeiro.
Horas antes de morrer ao ser baleado, o agente postou no story de seu perfil no Instagram fotos da Praia da Barra. Nas imagens, ele mostra a paisagem e movimentação de um trecho, que estava cheio com o dia de forte calor, com a frase “Amo tudo isso!”. Outro clique foi tirado no fim do dia, antes do põr do sol.
O policial, que entrou na corporação em 2013, em Roraima, estava atuando no Rio de Janeiro como parte do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da Polícia Federal, unidade especializada em situações emergenciais e que exigem retorno imediato das equipes de segurança, como ações em favelas, prisões de alto risco e ocupação de edificações.
Oliveira também atuou como agente na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência da PF, por cerca de sete anos.
Salvamento em restaurante
Em outubro deste ano, Oliveira salvou a vida de uma menina de 7 anos que se engasgou durante um almoço em família num restaurante, em Brasília. A criança chegou a ficar desacordada. Imagens de câmeras de segurança do local registraram o acidente.
A menina aparece senta a uma das mesas ao lado dos pais, que percebem, durante o almoço, que a filha está com dificuldades de respirar. O casal tenta auxiliar a menina ao perceberem que ela está engasgada. Pessoas que estavam no restaurante tentam ajudar. A menina chega a ficar desacordada.
Oliveira foi um dos que se aproximou da mesa onde estava a família. Ao se dar conta do que acontecia, ele faz manobras para desobstruir as vias respiratórias da criança.
O policial estava em Brasília para participar do Curso de Socorrismo Operacional (CST) no Comando de Operações Táticas (COT) da PF. Pelo atendimento à menina, ele recebeu homenagens e moção.
Família acompanha investigações
De acordo com o parente do agente, que pediu para não ser identificado, Oliveira foi atingido por pelo menos um tiro no abdômen. Ele frisou que a família vai acompanhar a investigação da Polícia Civil do Rio para entender as circunstâncias em que o policial federal foi baleado.
— Não temos o relato do que aconteceu. Vamos aguardar e acompanhar a investigação para saber como tudo ocorreu. O Francisco adorava a profissão dele. Era casado e deixou três filhos. O mais novo tinha nascido há pouco mais de um mês — disse uma pessoa da família do policial.
Agentes em duas viaturas da Polícia Federal foram prestar apoio aos parentes de Oliveira que tratavam da liberação do corpo nesta segunda-feira no Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio.
Discussão em quiosque
Segundo a Polícia Militar, uma equipe do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foi acionada para o quiosque K8, na Avenida do Pepê, na Barra da Tijuca, na noite do último domingo. O chamado alegava que “um homem armado ameaçava pessoas”. Em trecho da nota da corporação, ao chegar, militares encontraram o agente com arma em punho, fazendo ameaças a um dos PMs que atirou para se defender.
Ainda segundo a Polícia Militar, ao tentar dialogar com o policial federal, o militar teria levado um tapa no rosto. Duas mulheres que estavam no local, e acompanhavam Oliveira, também tentaram interferir. Uma delas foi atingida. Identificada como Thamires Duarte, de 34 anos, ela foi encaminhada para o Hospital municipal Lourenço Jorge, também na Barra da Tijuca, com um tiro nas nádegas. Foi nesse momento que o agente da PF teria afastado as mulheres e ido em direção ao PM, com a arma em punho, quando o militar atirou, alegando defesa.
O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas já encontrou o policial federal morto. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.
Com informações do Jornal O GLOBO.








