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Professora vai receber indenização após ser agredida por mãe de aluno no litoral de SP

Caso ocorreu em março de 2020, na Escola Municipal Professora Isabel Bréfere, no município de Praia Grande

redacao Por redacao
19/08/2021 - 10:34
em Cidade
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Professora afirma ter sido agredida por mãe de aluno após chamar a atenção do estudante e trocá-lo de lugar em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo pessoal

Professora afirma ter sido agredida por mãe de aluno após chamar a atenção do estudante e trocá-lo de lugar em Praia Grande, SP — Foto: Arquivo pessoal

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A mulher que foi acusada de agredir uma professora, de 34 anos, em uma escola municipal de Praia Grande, no litoral de São Paulo, deverá pagar uma indenização à vítima por conta do ocorrido, conforme determinado pela Justiça nesta semana.

As duas mulheres entraram em um acordo após a professora abrir um processo contra a agressora, que é mãe de um aluno da turma para a qual educadora lecionava.

O caso ocorreu em março de 2020, na Escola Municipal Professora Isabel Bréfere, no bairro Aviação. Conforme relatou a professora, que preferiu não se identificar, ela ministrava aulas ao filho da agressora. Na época, a professora mudou o aluno de lugar na sala de aula e, em seguida, a mãe da criança foi à escola conversar com ela, dizendo que a profissional estava excluindo-o.

Após uma conversa entre a educadora e o estudante, que tinha cerca de 10 anos, a mãe teria voltado à escola e, em meio a uma discussão, realizado a agressão. As duas foram encaminhadas para uma delegacia após o acionamento da Guarda Civil Municipal (GCM), onde um boletim de ocorrência foi registrado por lesão corporal.

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Após o ocorrido, a profissional decidiu mover uma ação na Justiça contra a mulher, por danos morais e lesão corporal.

Processo

Na semana do ocorrido, a criança foi retirada da escola e a professora continuou lecionando. A professora e a mãe da criança não se encontraram mais depois do fato, a não ser nas audiências do processo judicial. Na última terça-feira (17), as mulheres entraram em um acordo, que determina que a mãe do aluno pague uma indenização por danos morais à educadora de cerca de R$ 3,5 mil, conforme a defesa da profissional.

A advogada Tatiane Bezerra da Silva, que representa a vítima da agressão, inicialmente pediu 20 salários mínimos (R$ 20.900) de indenização, mas, ao longo do processo, o valor do pagamento final foi reduzido. Tatiane esclareceu que a sentença, na verdade, é uma homologação do acordo feito entre as partes e que não pode ser alterada.

No processo, a defesa da acusada afirmou que, em um instinto de mãe, ela teria apenas afastado a professora, que estava se dirigindo de maneira agressiva em direção à criança, não havendo deferido um soco no rosto da profissional. A professora, por sua vez, negou a versão da mãe e afirmou ter, de fato, recebido um soco.

Com base nas afirmações das envolvidas, chegou-se a um acordo em uma audiência de instrução e julgamento realizada nesta terça-feira e o pagamento da indenização foi determinado. Após a decisão, em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (19), a professora relatou se sentir aliviada com o desfecho do caso.

“Senti que a justiça foi feita, e alívio, ao mesmo tempo, por ter acabado. Por mais que a gente queira lutar por nossos direitos, é um aborrecimento, uma coisa que me incomodava”, diz.

“Não fiz por dinheiro, mas por respeito à nossa categoria [profissionais da educação], para a população no geral entender que não é assim que se resolve as coisas. O professor está ali todos os dias fazendo o trabalho dele”, conclui.

Caso ocorreu na escola Escola Municipal Professora Isabel Figueroa Bréfere, em Praia Grande — Foto: Reprodução/Google Maps

Relembre o caso

O desentendimento entre a mãe e a professora ocorreu no dia 13 de março de 2020. Alguns dias antes, a educadora havia mudado a criança de lugar na sala de aula, argumentando que ele conversava muito com os outros alunos. A mãe do menino foi à escola e disse à professora que o filho estava se sentindo excluído dos demais estudantes após a alteração.

A professora explicou que, após este episódio, a criança apresentou um comportamento diferente, mais “arredio”, passando a respondê-la mal. Segundo ela, os dois conversaram e ele disse que sentia um tratamento diferente por parte dela em relação aos demais alunos da sala.

“Ele falou que eu só fazia anotações no caderno dele e só dava bronca nele. Expliquei que não era isso e que agia assim com todos os alunos, quando necessário, e que aquele tipo de pensamento era ridículo, porque como educadora tenho a função de ensinar com relação aos estudos. Ele [aluno] pegou as coisas dele e saiu sem a minha autorização, falando que falaria com o diretor”, afirma.

No mesmo dia, a mãe do estudante voltou à escola afirmando que a educadora teria chamado a criança de “ridícula” e, após uma discussão, a mulher teria dado um soco no rosto da professora.

A vítima acionou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência por lesão corporal na Delegacia de Polícia de Praia Grande. Foram solicitados exames ao Instituto Médico Legal (IML).

Posicionamentos

O pai do estudante, que preferiu não se identificar, explicou que o filho vinha se sentindo oprimido e humilhado com as atitudes da educadora há mais de 20 dias. “Ela vinha excluindo-o das atividades, humilhando-o e gritando também. Ele já estava sofrendo na escola”, diz.

Ele contou que a esposa procurou a diretoria da escola para reclamar da forma como o filho vinha sendo tratado pela professora, mas eles não conseguiram realizar a transferência da criança para outra sala de aula. Desta forma, no dia seguinte, a profissional teria humilhado e xingado o menino, chamando-a de “ridículo” e dizendo que ele tinha problemas.

De acordo com o pai, a confusão entre a mãe da criança e a professora ocorreu quando a esposa dele estava conversando com o diretor, momento em que, conforme afirmou, a professora chegou e a tratou de forma agressiva, e que a mulher tinha apenas se defendido da abordagem.

Ainda na época, a Prefeitura de Praia Grande se posicionou sobre o caso, afirmando que repudiava qualquer tipo de agressão e que a Secretaria de Educação (Seduc) estava analisando os fatos, a fim de adotar as devidas providências.

A Seduc ressaltou que a professora tomou medidas adequadas para solucionar problemas na sala de aula e que a pasta estava dando respaldo à profissional, inclusive, disponibilizando atendimento psicológico.

As informações são do G1.

Tags: #Agressões#Praia Grande-SP#Professora
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