Operação Amicus Curiae prende ex-vereador que está nomeado no gabinete do deputado Jorge Picciani |
Da redação |
A Polícia Civil do Estado do Rio acredita ter desbaratado um esquema de fraudes em licitações na Câmara de São Fidélis, no Norte Fluminense, entre o final do segundo semestre de 2007 e 2011. Os elementos de convicção foram consolidados nesta sexta-feira (11/03), durante a Operação Amicus Curiae, ou Amigos da Corte. A fraude teria desviado R$ 320 mil.
Com o apoio do Departamento Geral de Polícia do Interior (DGPI) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a operação prendeu o ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Fidélis, Marcos Antônio Magalhães Gonçalves, o Marcão, que estava nomeado no gabinete do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), além do contabilista Michel Ângelo Machado, que exerceu mandato de vereador na cidade de Itaocara. Também foi cumprido mandado de prisão contra Aldimar Oliveira da Cunha, vulgo “Caju” (presidente do Instituto de Previdência de Itaocara/ITAPREV).
Durante as investigações, a Polícia descobriu que no período compreendido entre o segundo semestre do ano de 2007 e o final do ano de 2011 o grupo se associou para “saquear os cofres da Câmara Municipal de São Fidélis”.
“No comando da quadrilha estão os investigados Marcos Antônio e Michel. O primeiro, à época dos fatos, era presidente da Câmara Municipal de São Fidélis e o segundo era vereador da Câmara de Itaocara, atuando também na Câmara de São Fidélis, prestando serviços contábeis e operacionalizando os crimes arquitetados por ele e Marcão”, diz o trecho de uma nova publicada no site da Polícia Civil.
Também participava do grupo, segundo a Polícia, alguns servidores da Câmara de São Fidélis, que cumpria as ordens do presidente Marcão, “assinando falsas atas de sessão de julgamento de procedimentos licitatórios e, também, atestando a prestação de serviços que nunca foram executados”.
As investigações apuraram ainda a existência de um terceiro grupo, sob o mesmo comando do anterior, mas com relações diretas principalmente com Michel, composto por empresários que forneciam documentos de empresas individuais e de sociedades empresariais para viabilizar a fraude nos procedimentos licitatórios, já sabedores de qual deles seria o vencedor, visto que se tratava de um verdadeiro jogo de “cartas marcadas”.
Coordenada pelo Delegado de Polícia Rodrigo Maia, titular da 141ª Delegacia de Polícia, a operação foi autorizada pela justiça com o objetivo desarticular uma quadrilha que fraudava licitações. O ex-vereador Marcão foi preso em Niterói. Atualmente ele está nomeado no gabinete do presidente da Alerj, Jorge Picciani, matrícula 419.276-1, para exercer o cargo em comissão de Assessor-Assistente, símbolo A3. Na cidade ele foi o principal coordenador da campanha do atual prefeito Luiz Fenemê (PMDB) e atualmente atuava na escolha do candidato governista que irá disputar a sucessão municipal.
Entre as obras que podem ter sido fraudadas pelo grupo, está a construção de um anexo no prédio do legislativo e na prestação de serviços, fraude no aluguel de computadores. Algumas empresas que terias documentos constando nos certames estariam com assinaturas falsas.








