Mesmo após quase 40 anos do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon, o caso segue em aberto e sem respostas. Isso porque não ainda não há pistas concretas sobre o que aconteceu com o garoto – na época com 15 anos. Nenhuma hipótese é descartada pela Polícia Civil, que continua investigando o desaparecimento.
O caso aconteceu em junho de 1985, quando o adolescente desapareceu durante uma trilha no Pico dos Marins, em Piquete, a cerca de 200 quilômetros da capital paulista.
Quem segue vivendo de perto a angústia dessa situação é o pai do escoteiro, Ivo Simon, que tem 85 anos e não desistiu de encontrar o filho. Justamente por isso, o jornalista e advogado decidiu organizar um evento para discutir o caso e tentar descobrir novas pistas sobre o paradeiro do filho.
Chamado ‘Eu procuro Marco Aurélio’, o evento acontecerá em Piquete, no dia 23 de março, a partir das 14h, e vai reunir diversas pessoas envolvidas na tentativa de desvendar o desaparecimento de Marco Aurélio.
De acordo com Ivo, entre os nomes confirmados no debate estão o de Sandra Vergal, delegada de Piquete quando o caso aconteceu e as investigações iniciaram, Marcelo Cavalcante, atual delegado da cidade, e Osvaldo Machado, escoteiro que também participava da trilha.
“Ainda estou buscando uma luz. Já são 38 anos, mas não me entrego nunca, só quando morrer”, afirma Ivo Simon.
“Eu não sei mais o que fazer, mas nunca vou desistir, então no momento só espero que as pessoas continuem ajudando a desvendar esse mistério. O objetivo do evento é esse. Relembrar o caso e discutir o que foi feito até aqui”, completa.
O encontro contará ainda com a participação de guias turísticos do Pico dos Marins na época em que o desaparecimento ocorreu, de um policial do Rio de Janeiro que ajuda Ivo Simon nas buscas, e de um ufólogo chamado Claudio Iatauro.
O evento é aberto ao público e será realizado no salão de eventos Luiz Vieira Soares, que pertence à prefeitura de Piquete e fica na rua Francisco de Paula Ribeiro. A entrada é gratuita e aberta ao público.
“Na época, cerca de 300 pessoas participaram das buscas por vários dias e não encontraram nada. Nem um fio de cabelo. Ele simplesmente sumiu. Infelizmente o que temos são só suposições. Algumas pessoas até perguntam se é uma lenda, então não podemos deixar tudo isso cair no esquecimento”, conclui Simon.
Escavações
As buscas pelo escoteiro Marco Aurélio Simon tiveram uma nova fase no ano passado. Em setembro, a Polícia Civil decidiu retomar a operação no Pico dos Marins com o objetivo de tentar encontrar algum vestígio do escoteiro.
Os trabalhos duraram cinco dias. As autoridades que participaram da ação recolherem diversos tipos de materiais, que estão passando por análise. O objetivo é encontrar nos materiais qualquer vestígio que tenha relação com o escoteiro.
De acordo com o delegado Marcelo Cavalcante, da Polícia Civil de Piquete, onde o caso aconteceu, as análises ainda não tiveram resultado.
“Não tivemos novidade. O material segue na mesma condição, de ser analisado. Ainda não decidimos se voltaremos ao local para novas escavações. Existe, sim, essa possibilidade, mas vai depender dos resultados que tivermos a partir das avaliações de tudo o que foi apreendido na primeira fase”, explica.

Desaparecimento
Marco Aurélio Simon desapareceu na manhã do dia 8 de junho de 1985. Ele e outros três amigos, todos com 15 anos à época, acompanhados de um adulto líder dos escoteiros, faziam uma trilha no Pico dos Marins, que fica na cidade de Piquete (SP).
À época, polícia, bombeiros e equipes de inteligência fizeram buscas por 28 dias na área. Um inquérito foi aberto na Polícia Civil para investigar seu desaparecimento, mas terminou arquivado e sem resposta. Mais de 30 anos depois, com um novo depoimento, a polícia decidiu pela reabertura e investigação do caso.
O caso foi desarquivado em 2021, após novos indícios abrirem duas linhas de investigação da polícia. A primeira delas é a de que ele pode ter sido morto e enterrado em uma área próxima ao acampamento.
Em novembro de 2022 e em julho de 2021, escavações chegaram a serem feitas pela Polícia Civil em uma casa e terrenos na área rural de Piquete, mas nos dois casos a ação terminou sem o encontro de novas evidências sobre o caso Marco Aurélio.
A outra é de que ele estaria vivo. Essa linha de investigação acredita que o escoteiro possa ter tentado retornar para casa após se perder do grupo, mas não conseguiu.
Com informações do g1.








