De acordo com o MPF, valores eram pagos por executivos das empreiteiras ao ex-secretário de obras do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes;
Da redação
Preso na Operação Lava Jato, o ex-secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, recebia a propina em dinheiro em espécie. A informação foi divulgada, nesta quinta-feira (3), pelo Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o órgão, o valor era pago por executivos das empreiteiras em locais perto dos canteiros das obras. O ex-secretário aproveitava a visita às obras para receber o dinheiro. As informações são da Agência O DIA.
Alexandre Pinto foi encontrado por policiais federais em casa, em um condomínio de luxo, na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, por volta das 7h desta quinta. Ao todo, os 76 agentes cumpriram dez mandados de prisão, sendo nove no Rio e um em Pernambuco.
A nova fase foi iniciada após quatro anos de investigações de contratos no governo de Paes. Nesta operação, os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) se basearam na delação premiada de Luciana Salles Parente, ex-integrante do conselho do consórcio formado pela OAS, Carioca Engenharia e Contern.
Assim como o jornal O DIA publicou em abril deste ano, Luciana relatou à Justiça um esquema de pagamento de propinas ao Tribunal de Contas do Município (TCM) por obra do lote 2 do corredor BRT Transcarioca, trecho entre a Penha e o Galeão. Os agentes investigam o pagamento de propina nas obras da Transcarioca e da drenagem do córrego da Bacia de Jacarepaguá.
Segundo o MPF, os agentes identificaram vários pontos de convergência no pagamento de propina ao estado e ao município, já que os envolvidos usavam o mesmo termo para se referir ao dinheiro. O órgão investiga ainda se houve propina durante outras obras da Olimpíada, onde eles encontraram indícios de cartel entre as empreiteiras.
De acordo com os procuradores, não há indícios de que houve envolvimento do ex-prefeito Eduardo Paes no esquema. “Só podemos trabalhar com provas, não temos como afirmar que outras pessoas estavam envolvidas além dessas”, afirmou Rafael Barreto, procurador da República.
Na operação, os agentes apreenderam 12 armas de calibre pesado, joias e pedras preciosas. O armamento estava com a licença de colecionador vencida. Já as joias foram encontradas em uma residência, não revelada, e as pedras, em um escritório. Para o MPF, as joias representam um sinal de lavagem de dinheiro.
EDUARDO PAES
O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), que vive nos Estados Unidos, divulgou breve declaração sobre a prisão, pela Polícia Federal, do ex-secretário de Obras de sua gestão, ocorrida nesta quinta-feira, 3, em uma ação da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio. No texto, o peemedebista demonstra cautela e não descarta a possibilidade de confirmação das suspeitas em relação a seu ex-auxiliar.
“O Alexandre Pinto é um servidor de carreira da Prefeitura do Rio. A política não teve qualquer relação com sua nomeação para a função de secretário de Obras. Ao contrário! Caso confirmadas as acusações, será uma grande decepção o resultado dessa investigação”, escreveu Paes, em mensagem enviada ao jornal O Estado de S. Paulo por meio de aplicativo.








