Uma mudança na paisagem da Praia do Foguete, entre Cabo Frio e Arraial do Cabo, mobilizou órgãos ambientais para investigar a abertura de uma passagem entre a Lagoa da Barra Nova, também conhecida como Lagoa Vermelha, e o oceano. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) acompanha o caso em conjunto com as duas prefeituras para esclarecer se a ligação foi provocada por intervenção humana ou se ocorreu naturalmente após as chuvas na região.
Imagens aéreas mostram a abertura na faixa de areia e a conexão entre a lagoa e o mar. Segundo o Inea, não houve pedido de autorização aos órgãos competentes para qualquer intervenção no local.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo que mostra banhistas cavando a areia da praia. A gravação levantou suspeitas sobre uma possível relação entre a atividade e o rompimento da faixa de areia. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que os participantes tenham provocado a abertura.
Morador nega ter provocado a abertura
Com a repercussão do vídeo, Caio, um dos homens que aparecem nas imagens, afirmou que a atividade realizada na praia foi apenas uma brincadeira e que não havia intenção de criar um canal entre a lagoa e o oceano ou causar danos ambientais.
Segundo o morador, a abertura aconteceu aproximadamente uma semana depois da gravação. Ele também destacou que, no dia em que esteve no local, o tempo estava ensolarado, após um período de chuvas intensas, e pediu que a sequência dos acontecimentos seja levada em consideração durante a investigação.
Caio contestou a atribuição de responsabilidade a ele e aos amigos sem provas conclusivas. O morador afirmou respeitar a fiscalização ambiental e disse estar disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.
A versão apresentada por ele será considerada no contexto da apuração, que busca determinar as causas da abertura e verificar se houve participação humana no episódio.
Conexão pode modificar as condições ambientais da lagoa
De acordo com as informações divulgadas pelos órgãos envolvidos, a passagem entre a Lagoa da Barra Nova e o oceano teria se formado durante a madrugada entre os dias 18 e 19 de outubro. Com a abertura, parte da água acumulada na lagoa passou a escoar em direção ao mar.
A mudança chamou a atenção de moradores e frequentadores da Praia do Foguete. Um surfista que registrou o fenômeno afirmou que não via a lagoa naquela configuração havia cerca de quatro anos.
A área integra o Parque Estadual da Costa do Sol, que abriga ecossistemas costeiros importantes para a região. Por isso, intervenções na faixa de areia e alterações na ligação entre lagoas e o oceano precisam ser avaliadas pelos órgãos responsáveis.
O secretário municipal de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Dias, explicou que a abertura de canais entre lagoas costeiras e o mar pode ocorrer naturalmente ou ser resultado de ações humanas.
Esse tipo de conexão permite o escoamento da água acumulada e pode modificar a salinidade da lagoa, influenciando as condições de vida de espécies da fauna e da flora. A dimensão dos impactos depende das características do ambiente e das condições em que a abertura acontece.
Jailton também ressaltou que a lagoa exerce uma função importante na drenagem natural do bairro. Segundo ele, qualquer intervenção precisa de autorização e acompanhamento técnico para evitar danos ambientais e problemas relacionados ao escoamento da água.
O município informou que monitora a situação em conjunto com o órgão ambiental responsável.
Prefeituras acompanham investigação
A Prefeitura de Arraial do Cabo informou que acompanha o caso, mas ressaltou que ainda não há confirmação de que a abertura tenha sido provocada intencionalmente.
De acordo com a administração municipal, a Lagoa da Barra Nova passa periodicamente por processos naturais de abertura, que permitem o escoamento do excesso de água acumulada. As chuvas intensas registradas nos dias anteriores podem ter contribuído para o fenômeno.
A investigação deverá esclarecer se a conexão entre a lagoa e o oceano foi causada pelas condições climáticas ou se houve interferência humana. Até que os fatos sejam apurados, não há confirmação de responsabilidade dos banhistas que aparecem no vídeo.
Enquanto isso, os órgãos ambientais seguem monitorando a área para acompanhar as alterações provocadas pela abertura e avaliar possíveis consequências para o ecossistema costeiro e para a drenagem da região.
*Da Agência Fonte Exclusiva.







