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O massacre da intolerância

redacao Por redacao
10/10/2017 - 18:12
em Cidade
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Intolerância religiosa | Foto: EBC

Intolerância religiosa | Foto: EBC

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A estranha aliança entre fanatismo evangélico e o tráfico de drogas contra os terreiros de candomblé no Rio de Janeiro;

Da redação

Do total de casos de intolerância religiosa contra templos de matriz africana ocorridos no Rio de Janeiro no segundo semestre de 2017, 10% têm como responsáveis traficantes de drogas. Os dados foram compilados pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI).

O caso mais recente ocorreu esta semana em Itaguaí, Baixada Fluminense, quando a dona de um terreiro, que não quis se identificar, recebeu prazo de três dias para retirar todos os artefatos religiosos do templo, sob ameaça de o local ser invadido e as peças quebradas. Ameaças do mesmo teor foram feitas a outros centros de umbanda e candomblé.

De julho até agora, o serviço Disque Combate ao Preconceito recebeu 41 denúncias de casos de intolerância religiosa no estado, das quais 10% tiveram relatos de participação de traficantes de drogas. Uma das dificuldades em se conseguir uma estatística mais precisa é que as pessoas tem medo de oficializar uma denúncia e sofrer algum tipo de violência.

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Na avaliação do secretário Átila Nunes, está começando a ficar “bem nítido que isso é um modus operandi dessa parceria do mal entre traficantes e segmentos fanáticos religiosos. Estão demonstrando que o caso é muito sério. Já não é mais em um município específico, mas já são situações que extrapolam determinada cidade”.

Nunes informou que casos similares na região foram relatados à secretaria, mas não tiveram atendimento direto e, por isso, não foram incluídos na estatística.

CRIME ORGANIZADO

Para o secretário, os casos de intolerância chegaram a um novo patamar por envolver o crime organizado. “Porque não estamos falando apenas de fanáticos religiosos, mas de fanáticos religiosos armados em regiões onde a própria segurança pública já tem uma dificuldade natural para agir”, apontou.

O desafio, segundo ele, é como garantir a segurança de forma permanente nesses templos, uma vez que é difícil manter um policiamento 24 horas por dia nesses locais. Há um receio não só em relação à segurança dos donos dos terreiros, mas também das pessoas que frequentam os locais. Por isso, Nunes disse que muitos dirigentes de terreiros acabam decidindo fechar as portas.

COMO DENUNCIAR

As denúncias de violência praticada por extremistas religiosos são encaminhadas pela SEDHMI às delegacias policiais, onde são registradas para que seja encaminhada a investigação. A secretaria informou que na última sexta-feira (6), o centro espírita de Ile Oya, localizado em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, foi invadido. Mais de 50 imagens foram destruídas. O caso foi registrado na Delegacia de Itaboraí.

“Porque mais do que uma violência contra um terreiro, um dirigente, um fiel, a gente está falando agora de segurança pública e, nesse sentido, quem tem mais condições de agir na ponta é a Secretaria de Segurança Pública, através da Polícia Civil, com investigação e, se for necessário, a Polícia Militar, para fazer uma ação mais pontual”, afirmou Átila Nunes.

A grande dificuldade, relatou o secretário, é que a maioria dos ameaçados hesita em oficializar a denúncia, com medo de represálias.  As denúncias podem ser feitas por meio do serviço Disque Combate ao Preconceito, no telefone (021) 2334-9551. O canal funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.

BAIXADA CONCENTRA 30% DAS DENÚNCIAS

O ataque por traficantes a templos de religiões de matriz africana será discutido no próximo dia 19, durante o 1º Fórum Iguaçuano de Combate a Intolerância Religiosa, que ocorrerá em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. A região é responsável por cerca de 30% das denúncias recebidas pela secretaria. O evento é resultado do trabalho da Comissão Mista da Baixada Fluminense Contra a Intolerância Religiosa, criada após encontro de lideranças religiosas com o secretário Átila Nunes.

“A ideia é que a gente possa envolver cada vez mais também autoridades locais, porque o grande problema é a subnotificação, que só conseguirá ser resolvida com envolvimento da sociedade”, disse o secretário. Na avaliação de Nunes, quando houver uma demonstração de força da sociedade para resolução do problema, as pessoas se sentirão mais seguras para fazer qualquer tipo de denúncia.

*Agência VIU! com EBC  

Tags: #Afros#Evangélicos#TraficantesIntolerância religiosaRJ
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