Muito antes do nome de Yasmin Navarro aparecer para a Polícia Civil do Rio de Janeiro como estelionatária, quando foi presa com um grupo em julho desse ano, ele já figurava como participante de uma organização criminosa responsável por aplicar o chamado “golpe do motoboy” em Santa Catarina, em dezembro de 2020.
Essa foi a data em que a polícia catarinense prendeu em flagrante um integrante do grupo que praticava o golpe sob o comando de Alexandre Navarro Júnior, de 28 anos, vulgo Juninho e irmão de Yasmin.
Ele comandava uma quadrilha, chamada de “Família Errejota” com 15 pessoas, e que incluía a noiva, a blogueira Rayane Figliuzzi, de 24 anos, e também a irmã Yasmin, de 25. Todos seguem foragidos.
A partir da prisão de alguns integrantes e da investigação realizada pela 5º Delegacia de Polícia da Capital, em Florianópolis, a polícia chegou ao nome de Juninho, entendeu todo o esquema realizado pelo grupo e fez o indiciamento do grupo – inclusive o de Yasmin Navarro, que emprestou uma maquininha de cartão para o irmão lesar suas vítimas.
O Ministério Público de Santa Catarina transformou o caso em denúncia, que foi aceita pela Justiça catarinense em setembro desse ano. As prisões preventivas da Família Errejota foram decretadas no dia 7 de novembro de 2021, e o caso segue em segredo de Justiça.
Foragida duas vezes
Além de ajudar o irmão a montar sua organização criminosa em Santa Catarina, Yasmin Navarro decidiu montar sua própria célula criminosa no Rio de Janeiro. Com a ajuda de amigas e blogueiras influentes nas redes sociais, ela alugou um apartamento no Recreio, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e transformou em uma central de golpes.
Era de lá que ela, Anna Carolina de Sousa Santos, Mariana Serrano de Oliveira, Rayane Silva Sousa e Gabriela Silva Vieira ligavam para vítimas, em geral idosas, se passavam por agentes bancárias, comunicavam uma compra suspeita, pediam para as vítimas digitar a senha do cartão no telefone, conseguiam captar a mesma e informavam que um motoboy iria recolher o cartão para ser descartado.
De posse do cartão e da senha das vítimas, elas faziam compras e débitos nas contas das mesmas. Mesmo modo operacional usado pelo irmão de Yasmin em Santa Catarina.
O braço carioca da organização foi desfeito no dia 7 de julho, quando policiais da 40ª DP, de Honório Gurgel, prendeu o grupo em flagrante.
Elas tiveram a prisão preventiva decretada, ficaram 20 dias presas no Complexo Prisional de Bangu, e conseguiram o relaxamento da prisão.
No entanto, um vídeo nas redes sociais, em que uma das rés, Rayane Silva Sousa, debochava da Justiça, fez com que o Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada, voltasse atrás e decretasse novo pedido de prisão.
Apenas Anna Carolina de Sousa Santos e Rayane Silva Sousa se entregaram e aguardam audiência de instrução e julgamento presas.
Yasmin Navarro segue com dois mandados de prisão em aberto, o do Rio, datado de 12 de agosto, e o de Santa Catarina, emitido em novembro.
Cunhada blogueira tinha mais de 88 mil seguidores
Além do sobrenome Navarro nas quadrilhas de estelionato do Rio e de Santa Catarina, um outro detalhe chama atenção pela semelhança: a presença de uma blogueira influente nas redes sociais no grupo.
Trata-se de Rayane da Silva Figliuzzi, de 24 anos, ou Rayane Figliuzzi, como é mais conhecida por seus mais de 88 mil seguidores.
Bonita, influente e dona de uma loja de roupas, ela aproveitava seu acesso às maquinas de cartões para ajudar o noivo, Juninho, a lesar suas vítimas.

A polícia teve acesso a diálogos no celular de Juninho orientando os membros de sua quadrilha a passarem os cartões das vítimas nas maquininhas da irmã ou da noiva. Rayane também teve o pedido de prisão preventiva decretado em novembro e está foragida.
Antes disso, o nome dela chegou a figurar nos jornais, em janeiro de 2020, como sendo a beldade que encantou o rapper norte-americano Tyga, durante sua passagem no Rio.








