Ex-prefeito de Campos-RJ nega convite para fazer parte do governo Rafael Diniz;
O ex-prefeito de Campos dos Goytacazes Alexandre Mocaiber é um ser humano formidável. É o que se pode definir como ” sujeito boa praça”. Governou a cidade em momento conturbado, depois que assumiu o mandato de forma repentina. Ele era presidente da Câmara de Vereadores, quando o então prefeito Carlos Alberto Campista teve o diploma cassado em maio de 2005. A cassação de Campista é um acidente institucional que até hoje deixa sequelas. Ele foi vítima de uma cassação política e seu processo no TSE nunca foi julgado. Mocaiber, portanto, foi intimado para a segurar o bastão. A partir daí Campos nunca mais saiu da crise institucional. Ela perseguiria a sucessora Rosinha Garotinho e vai chegar em Rafael Diniz. É uma questão de tempo.
Em 2006 Mocaiber venceu uma eleição extemporânea e demonstrou um comportamento inteiramente pacifista, distante do espírito beligerante. Nunca foi perseguidor. No governo empreendeu obras importantes, como a adoção de um novo modelo de conjuntos habitacionais, construiu rodovias perimetrais (como a Arthur Bernardes, concluída no governo Rosinha), fez a Ponte Alair Ferreira, manteve programas sociais e investiu de forma permanente em saúde.
Mas política é uma estrada sinuosa e repleta de emboscadas. Em 2008, ano eleitoral, Mocaiber que disputaria reeleição e ganharia, foi ferido numa dessas armadilhas. Foi injustamente acusado de contratar shows com recursos da saúde, motivação da Operação Telhado de Vidro. A imprensa, que sempre mergulha na onda do espetáculo judicialista, engoliu releases sem apurar. Passados 11 anos, ninguém sabe, mas o processo segue em vias de extinção na Justiça Federal por uma razão simples: Mocaiber nunca usou dinheiro de saúde na contratação de shows. A acusação foi o maior factoide dos últimos tempos. Outro detalhe: o ex-prefeito não tem uma única condenação decorrente de sua administração. Seu único carma são multas aplicadas pelos Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, aqueles que estão presos por cobrar propina. Por isso, essas multas (sem sombra de dúvida) serão nulas.
Atualmente Mocaiber voltou a exercer a profissão de médico. Da política, por razões óbvias, não traz boas recordações. Depois daquela fase conturbada perdeu a esposa, Cristina Mocaiber, vítima de leucemia. Pai de três filhos e agora com uma neta, vai seguindo a vida sem pensar em política ou cargo público.
Sobre as notícias informando sobre um suposto convite do prefeito Rafael Diniz (PPS) para integrar a administração, ele nega. “Nunca fui procurado pelo prefeito, não conversamos sobre nada disso e fazer parte de qualquer governo não está em meus planos”, disse. Nos últimos tempos, Mocaiber e Diniz só se encontraram, casualmente, na posse de Rodrigo Bacellar a frente do diretório local do Solidariedade. “Nosso único contato foi um aperto de mãos cordial, nada mais”, afirma. Aperto de mão para pessoas civilizadas é como água, não se nega a ninguém. Em tempos de fake news e no ambiente político que faz boi voar, alguém viu o gato miar e achou que era galo cantando.








