A poucos dias da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-viver, prevista para Brasília e com expectativa de reunir cerca de 1 milhão de participantes, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, ressaltou a necessidade de ampliar a presença feminina em todos os setores da sociedade. Ela enfatizou a importância de desconstruir estigmas que colocam mulheres, especialmente negras, em posições subalternas, e de promover o protagonismo feminino em espaços políticos, sociais e institucionais.
Durante o seminário Democracia: Substantivo Feminino, realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (24), a ministra defendeu que a ocupação de espaços de decisão — como associações de moradores, câmaras legislativas e o Congresso Nacional — é essencial para enfrentar desigualdades históricas. Macaé Evaristo destacou que a representatividade feminina nas instituições políticas deve corresponder à proporção que elas representam na população, cerca de 53%, e apontou a importância de cotas e financiamento público de campanhas para viabilizar essa participação.
A ministra criticou ainda a visão de que a trajetória das mulheres na política seria “meteórica”. Ao relatar sua própria carreira, explicou que dedicou mais de 20 anos à educação, atuando como professora, diretora, assessora pedagógica e coordenadora de programas de ensino, antes de se eleger vereadora, deputada e, finalmente, ministra. “Uma mulher com 60 anos chegar a ser ministra é uma carreira meteórica? É isso que se pensa para a trajetória das mulheres nesse país?”, questionou, comparando com a carreira política masculina, muitas vezes iniciada ainda jovem.
Macaé Evaristo reforçou que a Marcha das Mulheres Negras simboliza a luta pela dignidade, pelo bem-viver e por uma sociedade livre de violência doméstica. “Que as mulheres não tenham que dormir com o inimigo dentro de sua casa”, declarou.
No evento, a jornalista e pesquisadora Cibele Tenório destacou a relevância histórica das mulheres negras na conquista da cidadania feminina no Brasil, citando a sufragista alagoana Almerinda Gama, que atuou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino nos anos 1920 e 1930 e foi fundamental para garantir o direito ao voto feminino. Segundo Cibele, valorizar essas trajetórias é reconhecer que a luta das mulheres negras por direitos tem raízes profundas e duradouras.
*Da Agência Fonte Exclusiva








