Mariana Cardim de Lima, mãe do estudante João Gabriel, morto atropelado por Bruno Krupp, prestou depoimento por cerca de quatro horas, nesta segunda-feira (8), à 16ª DP (Barra da Tijuca), sobre o acidente da noite do sábado retrasado (30).
O depoimento precisou ser interrompido três vezes porque, muito abalada, ela passou mal ao relembrar os fatos.
“Quando eu vejo o que está acontecendo eu entro numa crise de tremor muito forte (…) Tenho tentado evitar muito assistir às reportagens”, disse ao sair da delegacia.
Mais cedo, Mariana chegou chorando muito e foi amparada pelas irmãs Débora e Maura Cardim.
“Estou conseguindo lidar com isso com muita fé e remédios. Tentava dar responsabilidade ao meu filho, que estudava no Sesi em tempo integral. Ele era um menino de 16 anos, mas tinha muita responsabilidade. Eu o ensinava a ser um homem de bem, a respeitar o próximo. Ele era o protagonista da minha vida. Está muito difícil, para mim, viver agora”, disse.
Recebida pelo delegado Antenor Lopes, diretor do Departamento-Geral de Polícia da Capital da Polícia Civil do RJ, ela agradeceu o apoio da polícia e dos médicos que atenderam o filho João Gabriel.
A irmã de Mariana, Débora, estava revoltada com a declaração da família de Bruno Krupp, que ele era um jovem com um brinquedo novo.
“Meu sobrinho sim era um menino de 16 anos. Com 25 anos ele é um homem. E a vida do meu sobrinho não é um brinquedo”.
A outra irmã, Maura disse que Krupp tem de pagar pelo crime que cometeu.
“Ele deveria ter responsabilidade, até pela profissão que exerce, de modelo e influencer”.
Antenor Lopes, que está acompanhando esse caso de perto, disse que o depoimento da mãe de João Gabriel é muito importante para todo o processo.
“Ela estava no local, presenciou tudo. Pode ajudar a corroborar importantes informações”, disse Lopes.
Na tarde de terça-feira (9), o delegado Aloysio Falcão, que investiga o caso, vai ouvir o médico Bruno Nogueira Teixeira, que contrariando a equipe médica do Hospital Marcos Moraes, chegou a pedir a internação de Bruno Krupp no CTI para tratar um problema nos rins.
“O médico vai ter de explicar essa conduta atípica, em desacordo com os procedimentos de toda a equipe médica do hospital. Ele é um profissional e precisa explicar sua conduta para que não sobre dúvidas sobre uma possível tentativa de fraude processual”, explicou Lopes.
Mãe estava com filho no atropelamento
Mariana estava atravessando a Avenida Lúcio Costa com o filho quando Krupp o atropelou com sua moto sem placa e sem habilitação. Segundo testemunhas, ele pilotava a 150 km/h.
O Fantástico deste domingo conversou com Mariana. Ela disse não estar com ódio nem rancor do modelo e influenciador, preso pelo crime.
“Foi inevitável para mim ver o quanto as pessoas têm ódio e rancor e raiva desse rapaz [Krupp]. E eu, por incrível que pareça, não estou com ódio desse rapaz, eu não tenho rancor desse rapaz”, declarou Mariana.
“Talvez ele tenha, sim, que pagar a lei dos homens, mas eu, Mariana, não quero julgá-lo. A gente vive numa sociedade que tem justiça. E essa justiça precisa ser feita, até para que outra mãe não esteja aqui, daqui a um tempo, sentindo a minha dor”, prosseguiu.
Ao Fantástico, a mãe de João Gabriel também detalhou como foi o acidente.
“Não tinha nenhuma projeção de nada perto da gente. Em segundos, a moto estava em cima dele, e aí eu já perdi a noção do que que eu estava vendo. Eu vi a perna dele voando, eu vi o meu filho estendido no chão, ensanguentado, com o olho arregalado, apavorado, me pedindo socorro. Eu comecei a gritar”, narrou.
Mãe e filho tinham acabado de sair de uma confraternização familiar. Eles decidiram atravessar a avenida para passar na praia antes de ir para casa.
“A gente ia pôr no pé na areia, pegar a energia do mar, a gente sempre agradece, eu sempre ensinei a ele a agradecer, agradecer por tudo”, contou Mariana.

(Imagem: Reprodução)
A polícia levantou também que o modelo é investigado por estelionato – e que em julho, uma mulher registrou um boletim de ocorrência contra ele por violência sexual. Uma jovem de 21 anos foi até a delegacia acompanhada do pai e contou que foi estuprada pelo modelo.
Uma mulher de 28 anos, que prefere não se identificar, ao saber da denúncia desse caso pelos jornais, postou na sua rede social que passou pela mesma situação seis anos atrás. Ela conta que teve vergonha de denunciar na época, mas foi até a delegacia esta semana e fez um boletim de ocorrência.
Depois que ela postou seu relato nas redes sociais, mais de 40 mulheres enviaram mensagens afirmando que também foram estupradas por Bruno – e que também tiveram vergonha e medo de denunciar. Uma outra mulher, de 28 anos, chegou a fotografar as marcas da violência que Bruno deixou.
Bruno Krupp foi levado no sábado (6) para a unidade de pronto-atendimento (UPA) do Complexo de Gericinó, em Bangu. Ele estava em um hospital desde o dia do atropelamento, já com prisão preventiva decretada.
A ida do modelo para o presídio aconteceu depois de a polícia encontrar contradições entre o laudo do hospital, que o liberava para receber alta – o que permitiria que ele fosse levado para unidade prisional -, e o laudo de um médico contratado pela própria família do modelo, que solicitava que ele fosse transferido para uma UTI. Para a polícia, foi uma tentativa de obstrução das investigações.
As informações são do g1.








