Eleito por um partido nanico, deputado João Peixoto é autor de indicações de funcionários de posto de vistoria que foram presos durante a operação Asfalto Sujo e continua operando em um dos órgãos mais corruptos do Estado. Agora ele almeja ser candidato a prefeito em Campos, ataca o governo da prefeita Rosinha Garotinho e ensaia traição contra o ex-prefeito Arnaldo Vianna |
Da redação |
Os postos de vistoria do Detran no Estado do Rio de Janeiro são feudos de políticos. Poucos resistiriam a uma investigação da Polícia ou do Ministério Público. Nesses ambientes, os cargos, principalmente de chefias, são partilhados para abrigar cabos eleitorais de deputados da base governista. Um dos aquinhoados é o deputado João Alves Peixoto (PSDC), com base eleitoral na cidade de Campos dos Goytacazes.
Figura conhecida no Tribunal de Justiça, onde é réu em processo por apropriação de verbas de assessorias de gabinete, é dele a indicação da chefia do posto da Comauto, na área central da cidade. Peixoto não tem ideologia e muito menos lealdade a governos. Sua base é aquela que lhe garante essas indicações.
Diante desta promiscuidade, é compreensível que o Detran seja um antro de corrupção. E a melhor forma de compreender as entranhas deste órgão promíscuo é estudar minuciosamente o inquérito da Operação Asfalto Sujo, que prendeu 36 pessoas em setembro de 2012, algumas delas, figuras nomeadas por indicação do deputado Peixoto.
Na época, agentes da Corregedoria do Detran, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Civil desarticularam uma quadrilha formada por funcionários do Detran, despachantes e zangões que atuavam em pelo menos quatro postos de vistoria.
No esquema criminoso, funcionários, ex-funcionários despachantes e zangões, segundo a denúncia, recebiam propina para realizar de forma ilegal vistorias de licenciamento anual, transferências de propriedade de veículos e emissão de documentos.
A investigação sobre a quadrilha levaram seis meses. Os agentes percorrem os municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Magé, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Campos, São Fidélis e Bom Jesus do Itabapoana. Nesses três últimos municípios do Norte Fluminense, mesmo depois de seguidas operações da Corregedoria, os postos de vistoria do Detran continuam na cota de Peixoto. Consta a informação de que uma das filhas do deputado está proibida por medida judicial, de circular no posto de vistoria. Isso, talvez, explique porque o deputado se tornou uma figura tão incômoda no Palácio Guanabara. É recebido a contragosto.
De acordo com a denúncia de 2012, a quadrilha agia desde julho de 2009 e lucrava cerca de R$ 200 mil por mês. A prática da “vistoria fantasma” era a fraude mais comum. Segundo investigações, documentos referentes a vistoria do veículo para licenciamento anual eram emitidos sem que o carro fosse levado ao posto do Detran.
Despachantes credenciados ou zangões envolvidos no esquema distribuíam propina entre os vistoriadores, peritos, técnicos de controle, certificador, supervisor e, em alguns casos, até para o chefe e o subchefe do posto de vistoria. (Abaixo reportagem da InterTV)
Outro crime descoberto pelo Gaeco e pela Corregedoria do Detran foi o “pulo”, na qual funcionários do órgão autorizavam a transferência de propriedade de um veículo para uma pessoa, mesmo quando o recibo de compra e venda estava preenchido e assinado por comprador diferente, o que ocasionava a quebra na cadeia de proprietários e o não pagamento da taxa de transferência de propriedade.
Também era comum a autorização ilegal de transferência de propriedade de carro sem que o recibo de compra e venda estivesse assinado pelo comprados ou pelo vendedor, ou sem reconhecimento de firma, fraude conhecida como “R”.
Entre os denunciados pelo Ministério Público estão o ex-chefe do Posto de Campos (homem da cota de João Peixoto) e o subchefe do Posto de Itaboraí, além de funcionários responsáveis pela emissão de documentos, despachantes oficias e zangões (despachantes de fato). As investigações tinham como alvo principal o município Itaboraí, mas ao longo da apuração surgiram elementos que mostraram também a participação de funcionários dos postos de São Gonçalo, Magé e Campos.
Com autorização da Justiça, na ocasião, foi determinada ainda a quebra de sigilo telefônico de diversos funcionários do Posto de Itaboraí e o monitoramento de conversas telefônicas por 60 dias. Na investigação foi constatada ainda que funcionários do órgão recebiam dinheiro para fazer vista grossa em algumas vistorias e aceitar a regularização de carros sem condições de circular, com pneus carecas, vidros e lanternas quebrados, entre outros problemas. A quadrilha, segundo a denúncia, tinha uma tabela de propina, com valores que variavam de R$ 50 a R$ 1.200, dependendo do “serviço”.
João Peixoto ainda é o senhor do Detran em algumas cidades do Norte Fluminense, no Detran de Campos, sua principal figura responde pelo codinome de Gilmarzinho, um ex-dono de bar em Mineiros, na Baixada Campista e posteriormente pequeno empreiteiro de obras públicas.
No governo de Alexandre Mocaiber, na prefeitura de Campos, se notabilizava como vendedor de facilidades para liberação de pagamentos na Secretaria Municipal de Fazenda, mesmo sem ter nomeação no governo. É, literalmente, um homem de negócios.
Com forte atração por partidos nanicos, João Peixoto agora pleiteia disputar a prefeitura de Campos. Ensaia críticas ao governo da prefeita Rosinha Garotinho, de quem já foi aliado, faz juras de amor ao ex-prefeito Arnaldo Vianna, mas diz nos bastidores que este não será candidato, e manobra para se favorecer. Também faz a linha maldita contra o deputado Geraldo Pudim (PMDB). No país em que Petrolão e Mensalão produziram cadeia para alguns elementos do andar de cima, é possível que João Peixoto, algum dia, seja conduzido a um caminho bem diferente de um parlamento ou de uma administração pública.








