Em tempos de pandemia do novo coronavírus, a crise na saúde de Arraial do Cabo (RJ) atingiu em cheio o Hospital Geral do município. Boa parte dos cabos de energia elétrica estão expostos, paredes com infiltrações e equipamentos sucateados. O atendimento ambulatorial é insuficiente devido a falta de profissionais como médicos e enfermeiros. No setor de covid-19, a Comissão de Transição do prefeito eleito Marcelo Magno, diz não ter observado sistema de ventilação e refrigeração que contemple a necessidade e atenda as normas. Soma-se a isso ao menos três meses de salários atrasados.
O relatório produzido pela Comissão de Transição, após inspeção feita neste mês no HGAC denunciou “que a unidade se encontra em condições precárias e insatisfatórias de funcionamento, com quadro de funcionários insuficientes e não atendendo o preconizado pelo COFEN e CREMERJ. Ainda segundo o relatório o prédio necessita de reformas urgentes – instalações elétricas, hidráulicas, rede de gases, iluminação e pisos, “pois o mesmo encontra-se em condições insalubres”.
Outro problema denunciado no realório é a falta de mobílias básicas, como leitos, colchões, suportes para soro, mesa para alimentação. Equipamentos eletroeletrônicos danificados e em números insuficientes comprometem a segurança dos pacientes e profissionais. Relatos de EPI´s inadequados e insuficientes, escassez de insumos e medicamentos. Locais inadequados para preparo de medicação e higiene precária.
Ausência de sinalização de grau de risco nas áreas de internação e descarte inadequado dos materiais infectados conforme normas da CCIH e Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Saúde – PGRSS). “Verificamos grande volume de medicamentos vencidos perto da porta de entrada da cozinha e na farmácia do segundo pavimento” concluiu a Comissão de Transição.
Prefeitura diz que hospital foi reformado
A precária estrutura da unidade de saúde contradiz com uma matéria publicada no site oficial da Prefeitura em 3 de junho deste ano. A matéria informa sobre uma reforma no Hospital “com o intuito de humanizar o ambiente hospitalar”.
Irregularidades
Em 9 de novembro de 2020, agentes da Polícia Civil cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em cinco cidades do Rio de Janeiro contra desvios e fraudes na Saúde em Arraial do Cabo. Segundo as investigações, uma das empresas envolvidas teria recebido verbas públicas por mais de um ano, mesmo sem ter contrato assinado com a Prefeitura.
A ação foi parte de uma investigação da 132ª DP (Arraial do Cabo), em parceria com o Ministério Público Estadual, que apura fraudes em licitação, irregularidades na contratação, por parte da Prefeitura de Arraial do Cabo, de dois laboratórios de análises clínicas, cobrança por exames que nunca foram feitos e falta de assistência à população. Juntas, as empresas investigadas, que pertencem aos mesmos donos, receberam da Secretaria Municipal de Saúde, nos últimos quatro anos, mais de R$ 6 milhões.
Na época em nota publicada pelo site G1, a Prefeitura de Arraial do Cabo informou que a ação faz parte de uma investigação do ano de 2017 e apura possível envolvimento de ex-funcionários da secretaria de Saúde. O município disse ainda que “desde o início da investigação a secretaria tem colaborado com a Polícia Civil e com o Ministério Público prestando todas as informações solicitadas bem como apresentando todos os documentos”.
Derrotado, prefeito é afastado
No último dia 15 à Justiça determinou o afastamento do prefeito de Arraial do Cabo, Renatinho Vianna. A decisão levou em consideração pedido do MPRJ que alega a prática conhecida como “desmonte” da máquina administrativa e serviços essenciais. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou recurso pedindo o retorno de Vianna à Prefeitura de Arraial do Cabo.








