O bairro Parque Prazeres, localizado no subdistrito de Guarus, em Campos dos Goytacazes (RJ), tornou-se palco de uma violenta disputa territorial que tem deixado moradores em pânico desde o último sábado, 3 de janeiro de 2026. A invasão da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) para expulsar os rivais do TCP (Terceiro Comando Puro), que dominavam a região, transformou a comunidade em uma verdadeira zona de guerra.
Relatos de moradores e vídeos que circulam nas redes sociais mostram um cenário de caos absoluto, com intensas trocas de tiros ecoando pelas ruas do bairro. A facção invasora impôs regras rígidas à população local, proibindo expressamente a circulação de pessoas estranhas à comunidade, incluindo entregadores de aplicativos e motoristas de Uber.
“A situação está insuportável. Ninguém consegue dormir com os tiroteios constantes. Estamos presos dentro de casa, com medo de sair”, relata um morador que preferiu não se identificar por questões de segurança.
Relatos sobre morte de adolescente
O conflito, segundo os relatos, já fez pelo menos uma vítima fatal: um adolescente de apenas 15 anos teria morrido em decorrência da guerra pelo domínio territorial. O nome da vítima não foi revelado pelas autoridades, mas o caso intensificou ainda mais o clima de pânico entre os moradores do Parque Prazeres.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, integrantes da ADA tentaram tranquilizar a população local, afirmando que “a guerra não é contra a Polícia, mas contra a facção rival” e prometendo garantir o direito de ir e vir dos moradores.
No entanto, a realidade nas ruas contradiz essas declarações, com o toque de recolher não oficial e o clima de intimidação permanente.
Comunidades vizinhas em alerta
O temor não se restringe apenas ao Parque Prazeres. Moradores do Parque São Jorge, comunidade vizinha, vivem apreensivos com a possibilidade de expansão do conflito para a região. A proximidade geográfica e as conexões entre as áreas alimentam o receio de que a violência se espalhe, colocando ainda mais famílias em risco.
A invasão da ADA no Parque Prazeres é atribuída ao grupo liderado por Francisco da Conceição Batista, conhecido como “Nolita”. O traficante, que também é apontado como líder do tráfico no bairro Santa Rosa, encontra-se atualmente preso, mas sua influência na organização criminosa permanece ativa através de seus subordinados.
A guerra entre facções tem paralisado completamente a rotina do bairro. Comércio fechado, crianças sem poder ir à escola, trabalhadores impossibilitados de sair para trabalhar e serviços essenciais prejudicados são apenas algumas das consequências imediatas do conflito. A população local se vê refém de uma disputa que não escolheu participar.
Resposta das autoridades
Até o momento da publicação desta reportagem, não há informações oficiais sobre ações específicas das forças de segurança pública para conter o conflito no Parque Prazeres.
A escalada da violência em Campos dos Goytacazes evidencia os desafios enfrentados pelas cidades do interior do Rio de Janeiro no combate ao crime organizado e na proteção de comunidades vulneráveis ao domínio das facções.
*Nota da redação: Esta reportagem foi elaborada com base em informações de moradores, redes sociais e material audiovisual divulgado pelo Canal VIU!. A situação permanece em desenvolvimento e atualizações serão publicadas conforme novas informações estejam disponíveis.







