Funcionários de Furnas Centrais Elétricas do Norte e Noroeste Fluminense entraram greve por tempo indeterminado. Em assembleia realizada pelo sindicato dos trabalhadores industriais de energia elétrica no norte e noroeste fluminense (STIEENNF), os trabalhadores que atuam na Usina e Subestações de Campos dos Goytacazes, Macaé e Rio das Ostras afirmam que decidiram aderir ao movimento nacional dos eletricitários para protestar contra o aumento abusivo nos planos de saúde, além de denunciar coação e assédio no ambiente profissional.
O movimento teve adesão maciça dos trabalhadores, no entanto, o sindicato salienta que “o movimento é pacífico, feito com responsabilidade e que o fornecimento dos serviços à população será mantido e que todos os serviços emergenciais serão atendidos”.
A principal reinvindicação dos trabalhadores se refere a decisão por parte da diretoria de Furnas em aplicar a mudança da forma de custeio do plano de saúde, que aumenta substancialmente o custeio dos trabalhadores no nos custos de saúde, mesmo antes da decisão do Tribunal Superior do Trabalho, onde a discussão já está sendo travada.
Os Sindicatos e entidades que representam os trabalhadores, possuem liminares que impedem a implantação desse custeio, por isso, exigem que a empresa cumpra a decisão judicial e aguarde o julgamento do tema no TST.
Os eletricitários denunciam que a queda na qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras de Furnas e todas as outras empresas do grupo Eletrobras é só o primeiro ato, que antecede as demissões.
“A precariedade no ambiente de trabalho refletiu na redução da qualidade do serviço de energia elétrica para a população, que pagará o preço com novos aumentos das tarifas”, destaca release divulgado pelo sindicato.
“E tudo isso com o único objetivo de pagar mais dividendos e enriquecer os acionistas privados, ou seja, com o interesse de transferir renda do trabalhador e da população para os banqueiros e grandes empresários. Nas bases do STIEENNF os cerca de 90 funcionários estão em greve e respeitando todas as exigências legais, mantendo os serviços essenciais para garantir o pleno abastecimento de energia à população”, afirma a entidade.
Decisão do TST
O Ministro do TST, Aloysio Corrêa da Veiga, negou na quarta-feira (19), provimento ao recurso de Furnas no Dissídio de Greve. Ele decidiu pelo indeferimento do pedido de reconsideração apresentado por Furnas que alega abusividade na greve.
Para o Presidente do STIEENNF, Otacílio de Souza Junior, os trabalhadores estão cumprindo todas as exigências da lei de greve e que este movimento só está sendo construído porque não é possível mais tolerar retirada de benefícios essenciais dos trabalhadores, principalmente diante da guerra que estamos enfrentando que é o combate à pandemia. “São 2800 famílias que terão dificuldades em custear um plano de saúde em plena pandemia”, disse.
“É lamentável a tamanha insensibilidade da direção da empresa que mostrou que está a serviço apenas no
aumento do lucro dos acionistas. Furnas viu uma oportunidade de implantar uma maldade dessa durante o recesso judiciário e num período que muitos trabalhadores se encontram de férias, fazendo tudo de forma corrida e de difícil reversão”, explicou o sindicalista.
Entenda o reajuste nos planos de saúde
A diretoria executiva de Furnas pretende implantar uma nova forma de custeio do plano de saúde que aumenta muito os custos, bem no auge da variante ômicron que tem elevado substancialmente os casos de COVID-19 no país e não aguardar o trânsito em julgado no TST.
Neste momento, todas as bases de Furnas em todo o Brasil, Eletrobras Holding e CEPEL estão em greve por tempo indeterminado e as outras empresas já têm previsão para aderir ao movimento já a partir da próxima segunda-feira, dia 24.
A pedido das entidades sindicais, uma reunião entre os Sindicatos e a direção da empresa foi agendada para esta sexta-feira (21), na tentativa de se chegar a um acordo.
Fornecimento de energia
A subestação de Campos possui importância estratégica na transmissão de energia entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, por meio de cinco linhas de 345 kV: três conectadas à subestação de Macaé Merchant, uma à subestação de Viana e outra à subestação de Vitória. Além disso, conta com uma tensão de 138 kV, que liga as subestações de Rocha Leão, Iriri e a Usina Termelétrica de Campos.
A Subestação de Rocha Leão está localizada no município de Rio das Ostras. O empreendimento está inserido no sistema de suprimento de FURNAS em 138 kV. Essas instalações têm grande relevância no fornecimento de energia elétrica para os estados do Rio de Janeiro (principalmente Região dos Lagos, Norte e Noroeste) e do Espírito Santo.








