O professor de inglês e influenciador digital Felipe Coelho, filho do casal de idosos morto a facadas em um apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro, afirmou em depoimento à Polícia Civil que teve uma briga com o ex-namorado, e principal suspeito pelo assassinato, na frente dos pais. A discussão foi na quarta-feira (22), três dia antes do crime.
Segundo o relato de Felipe, o oficial da Marinha, capitão de fragata Cristiano Lacerda, de 40 anos, não aceitava o fim do relacionamento e se recusou a sair do imóvel que os dois dividiam no Rio de Janeiro.
Briga e agressão
De acordo com as investigações, os dois ainda moravam juntos, apesar de já estarem em processo de separação. Felipe diz que o motivo para o fim do relacionamento foi uma briga em que Cristiano o agrediu, há 2 meses.
Após o término, Felipe viajou para Fortaleza, onde os pais moravam, e permaneceu na cidade por um mês. Ao voltar para o Rio, ele concordou em ficar no mesmo apartamento que Cristiano, até que o militar conseguisse outro local para morar. Segundo Felipe, o término parecia ser “amigável”.
Suposta tentativa de matar ex-mulher
Além dessa suposta agressão, Felipe também contou aos investigadores que Cristiano já havia tentado matar a ex-mulher.
Nesse depoimento, o professor de inglês também revelou aos policiais que o ex-namorado foi carinhoso com os pais durante a passagem dos dois pela cidade.
O casal de idosos, Felipe e Cristiano dividiram o apartamento na Zona Sul desde o dia 17 de junho, quando os pais de Felipe chegaram para passar uns dias com o filho.
Casal foi morto dormindo
O casal formado por Geraldo Coelho, 73 anos, e Osélia Coelho, 72 anos, foi encontrado sem vida em cima de um sofá-cama, na sala do imóvel, na madrugada do último sábado (25).
De acordo com a perícia preliminar realizada no apartamento do casal, pela posição dos corpos, Geraldo e Osélia foram mortos enquanto dormiam.
“Isso é além de qualquer racionalidade, de qualquer previsibilidade. É inimaginável. Vai além de qualquer racionalidade”, comentou Felipe.
“Meus pais eram as pessoas mais doces desse mundo. Meu pai era um exemplo pra mim. Um homem integro, de Deus, muito tranquilo. Não fazia mal a ninguém. Minha mãe era alegria onde ela tava, era alegria de qualquer lugar, ela adorava ser engraçada, contar piada. (ri e chora) Ela era mulher de Deus, de oração, orava pelos filhos”, disse Felipe ao RJ2.
Principal suspeito pelo crime, Cristiano foi encontrado no apartamento inconsciente, deitado dentro do baú da cama box, dopado. Policiais também encontraram uma faca com sangue, garrafas de bebida, seringas, remédios controlados e receitas em nome de Cristiano. Ele estava com um ferimento na mão.
O suspeito foi preso em flagrante e levado sob custódia para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. Nesta segunda-feira (27), a Justiça converteu a prisão em flagrante do militar em prisão preventiva. Cristiano foi transferido para o Hospital Marcílio Dias, da Marinha, onde segue sob custódia.
“A nossa família inteira está dilacerada. Somos 3 filhos homens. Eles eram avós de 3 netinhos: uma de 6, um de 11 e outra de 15”, contou Felipe.

Mensagens trocadas depois do crime
Na noite da última sexta (24), Cristiano teve uma crise de ciúmes porque Felipe saiu sozinho para uma festa em Ipanema, também na Zona Sul.
Cristiano chegou a mandar mensagens para Felipe pedindo para que ele voltasse para casa, alegando que a mãe dele estaria passando mal.
“Eu esperava chegar em casa e ver minha mãe gripada, com tontura, com enjoo, com alguma coisa. Foi o pior dia da minha vida (chora muito)”, comentou Felipe.
Às 22h50 de sexta-feira, Felipe recebeu a primeira mensagem de Cristiano naquela noite. No texto, o alerta de que a mãe dele estaria passando mal. Na sequência, o professor ligou para os pais, mas que nenhum dos dois atendeu, segundo o depoimento.
Um pouco depois, às 23h10, Felipe atendeu uma ligação do ex-namorado que teria dito: “Sua mãe está passando mal, você vai continuar aí com seus amigos ricos?”.
Às 23h14, Cristiano enviou uma nova mensagem: “É melhor vir para casa seu escroto”.
Ainda segundo seu depoimento, Felipe chegou em casa e percebeu todas as luzas apagadas. Quando ligou o interruptor, viu os pais mortos no sofá-cama da sala.
Nesse momento, o professor entrou em desespero e começou a gritar por ajuda. Segundo testemunhas, ele teria ameaçado se jogar da janela do apartamento, ainda em choque com a morte dos pais.
Logo depois, de acordo com o relato, Felipe chamou a polícia e saiu do imóvel para aguardar a chegada dos policiais.
As informações são do g1.








