Na Câmara de Vereadores de Campos (RJ), no Norte Fluminense sobra dinheiro e falta noção. Levantamento do Radar Fonte Exclusiva com base no Portal da Transparência, revelou que o Legislativo contabiliza 216 servidores nomeados em cargos comissionados.
No primeiro trimestre de 2021, o gasto com nomeações dos 25 vereadores e mais funcionários, que atuam em postos no Palácio Nilo Peçanha custaram no primeiro trimestre quase R$ 3 milhões aos cofres públicos.
O custo inclui os salários dos 25 vereadores, 5 assessores de cada um dos gabinetes parlamentares e demais nomeados em cargos comissionados.
Para o economista e colunista do Portal Viu, Ranulfo Vidigal, os vereadores do maior município do Norte Fluminense deixaram de prestar serviços para a população e viraram investidores.
“ Você investe no mandato de vereador e depois quer buscar retorno com nomeações estapafúrdias de valores enormes, têm salários de até R$ 17 mil. O pequeno empreendedor hoje para pagar o seus impostos vem vivendo momentos de muita dificuldade. O Legislativo dar um péssimo exemplo. Esse dinheiro da Farra da Boquinha poderia tá sendo investido na agricultura do Município ou injetando em obras paralisadas para melhorar a vida dos munícipes” avaliou Vidigal.
Segundo a apuração da agência, os salários dos cargos comissionados variam de R$ 1.503 a mais de R$ 9 mil e a maior parte dos nomes que consta na listagem são cabos eleitorais, parentes de políticos locais e alguns dos próprios vereadores, conforme é possível constatar na lista divulgada pelo Portal Viu.
O economista e professor da UENF, Alcimar Chagas, disse que o Legislativo campista deveria contribuir com o município, que passa por uma crise financeira e está em calamidade financeira.
“ O Legislativo apesar de ser um poder independente não pode se dar o luxo de gastar parte do seu orçamento com cargos comissionados. É um contra-senso o executivo não pagar suas obrigações com os credores enquanto, o Legislativo tem dinheiro sobrando para gastar de uma forma equivocada, é uma grande contradição. A Câmara deveria enxugar as despesas para ir sim fazer o dinheiro novo para pagar as suas obrigações. Apesar de ser o Legislativo o poder executivo também tem sua responsabilidade”, opinou Chagas.
Resposta da Câmara
Em contato com a assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores, a resposta foi que:
“Os critérios adotados para as respectivas nomeações são diferenciados e de acordo com a função ocupada. As nomeações para os setores administrativos são extremamente técnicas. Hoje temos cargos comissionados administrativos sendo ocupados por Advogados, Engenheiros, Contadores, entre outros, além de pessoas qualificadas com mestrados, pós graduações e outras qualificações pertinentes aos cargos.
A título de exemplo, podemos citar o caso do nosso Procurador que, além de ser servidor de carreira da Procuradoria do Município, já foi Procurador Geral do Município de São Fidélis e Subprocurador do Município de Campos.
Além disso, as nomeações do nosso setor administrativo são preenchidas com diversos servidores de carreira da Câmara e do Executivo, valorizando os servidores que já atuam nas referidas áreas.
Por outro lado, algumas nomeações são destinadas ao suporte dos gabinetes dos Vereadores e, portanto, o perfil de parte dos cargos são políticos-administrativos”.








